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Insatisfação no trabalho: qual o custo para as empresas?

Por Ricardo Haag

Todos queremos nos sentir profissionalmente realizados e satisfeitos nas funções que desempenhamos – mas, essa não é uma realidade amplamente vista. Cerca de 60% das pessoas, hoje, estão infelizes em seus trabalhos, segundo uma pesquisa do LinkedIn, desencadeamento um turnover que, caso não seja estudado profundamente a fim de compreender suas causas, trará prejuízos financeiros gradativos e preocupantes para a produtividade e sobrevivência dos negócios.

Falar sobre essa insatisfação no mercado é algo complexo, uma vez que a própria dinâmica empregatícia mudou consideravelmente ao longo das décadas. Se, antes, os funcionários obedeciam sem questionamentos seus chefes, atualmente, o poder de barganha não está mais 100% unilateralmente nas mãos da contratante, dando voz e poder aos trabalhadores de escolherem onde querem estar com base em motivos que vão além da questão salarial.

Ainda de acordo com o estudo, a flexibilidade é um dos pontos mais levados em consideração em uma vaga, uma vez que muitos se acostumaram a operar à distância ou no formato híbrido devido ao isolamento social e, com isso, costumam repensar posições que não oferecem essas opções. Fora isso, questões como identificação com os valores da marca, plano de crescimento e desafios constantes também aparecem nos requisitos bastante procurados pelos profissionais.

É fato que, quando essas necessidades não são atendidas, a insatisfação no trabalho leva a uma inevitável redução no desempenho, produtividade, baixa na entrega de suas tarefas e, consequentemente, danos nos serviços prestados pelo negócio. Pessoas desmotivadas entregam bem menos do que o esperado, o que exige um olhar atento sobre o tema para evitar altos volumes de perdas para as marcas.

Por parte da empresa, é extremamente importante que haja uma liderança comprometida com o tema, acompanhando sempre de perto estes aspectos nos colaboradores e buscando formas de assegurar que se mantenham felizes e engajados na causa em comum. O líder é quem terá a responsabilidade de conectar a estratégia corporativa e seu propósito com toda a equipe, além, é claro, de prezarem por uma comunicação clara com todos, assegurando que todos estão à par de tudo que está sendo feito e não deixando nenhuma ponta solta que possa dar margem para entendimentos errados e conflitantes.

Contudo, não podemos deixar de ressaltar que o principal herói que deverá lutar contra essa insatisfação, é o próprio profissional. Ele é quem precisa protagonista no movimento de sua felicidade, tendo uma dose de maturidade, humildade, autoconhecimento e clareza de onde quer chegar, e os caminhos necessários a serem percorridos para isso.

Na prática, essa combinação de atitudes irá refletir em um olhar mais assertivo na busca por vagas que estejam alinhadas aos seus objetivos, além de procurar por cursos e formações que enriqueçam suas experiências e o diferencie no mercado. Todas, atitudes que os tornarão imbatíveis frente a seus concorrentes.

É gratificante observar como a temática de felicidade no trabalho ganhou forte destaque nos últimos anos, dando espaço para que este assunto seja debatido e compreendido perante uma maior retenção de talentos qualificados. Mas, muito ainda precisa ser realmente entendido sobre este assunto, principalmente, na importância de os profissionais terem um papel ativo perante a conquista desta satisfação no ambiente de trabalho.

A felicidade no trabalho é algo completamente subjetivo a cada um de nós. É claro que as empresas possuem um papel importante neste aspecto, porém, sempre devemos ressaltar que a proatividade dos profissionais na busca pelo que lhes deixa contente também é um fator de peso nesta missão. Times desmotivados trazem prejuízos para todos os envolvidos, o que demanda um esforço conjunto para que todos se engajem na mesma causa e consigam crescer juntos.

Ricardo Haag é sócio da Wide, consultoria boutique de recrutamento e seleção.

 

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