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Pensamento intrusivo e paradoxos*

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Começo este artigo com um pensamento intrusivo, ou seja, aquele pensamento que surge sem a nossa vontade e simplesmente se intromete no meio dos outros pensamentos; e também com sentimento e até emoções muito bem retratados em uma música que ouvia na adolescência, “Nada sei dessa vida” (grupo musical Kid Abelha), cujo refrão diz:

“Vivo sem saber

Nunca soube, nada saberei

Sigo sem saber…”

Também cai bem a frase de Sócrates, “Só sei que nada sei”, uma resposta à mensagem do oráculo de Apolo dada a seu amigo Querofonte em Delfos, que afirmou que ele era o mais sábio entre os homens gregos.

Acontece tanta coisa no nosso entorno que nos leva a refletir sobre os paradoxos que nos envolvem.

Lembremos que o paradoxo pressupõe contradição, incoerência, incongruência e outras coisas, mas o que quero ressaltar aqui são pontos importantes para refletirmos e quem sabe nos levar na direção das boas ações para nós e os outros.

Ontem falávamos uma amiga e eu, que o homem é capaz de tanta coisa linda, maravilhosa em todos os campos da vida e ao mesmo tempo é capaz de coisas feias, horrorosas e cruéis. E, sabemos, existem ótimos exemplos a este respeito.

Hoje, com outro amigo, refletíamos do perigo de deixar as coisas se acomodarem, sem, de fato, a real estrutura das referidas coisas estarem arrumadas. Pensamos inclusive que é melhor estar inquieto, pensando sobre as coisas, do que deixar coisa importante acomodar.

Falando do futuro, falamos de jovens, e abro aqui um parêntese para dizer que já abordei em artigos anteriores sobre a geração yolo (You Only live once= Só se vive uma vez). Uma mentalidade do “agir agora e pensar depois, das experiências da vida em vez de investimentos de vida, do ativismo e das vidas vivenciadas on-line.

Daí faço a ponte para pensarmos sobre que tipo de geração é esta que atualmente temos?

Uma geração jovem mais isolada, com sentimentos de solidão, que pressupõe dor, sofrimento e até rejeição. Em Portugal 940 mil portugueses, entre 15 e os 65 ou mais anos, vivem sozinhos, sendo que 8% correspondem a jovens entre 15 e os 34 anos.

O tempo dos pais, segundo o pedopsiquiatra Pedro Strecht, as crianças passam oito horas na escola, e em média, estão 2h30 em frente à televisão e os pais dedicam-lhes apenas trinta e sete minutos por dia.

Também há o efeito da pandemia nestes jovens, que lidaram com o distanciamento social, com o tema morte de maneira mais evidente, sendo que geralmente nesta fase de vida se pensa em imortalidade, vida e muito pouco na morte.

Observa-se com clareza que os transtornos como ansiedade, depressão e outros estão presentes em toda a camada social em qualquer gênero e idade.

Pesquisa de Harvard mostra que, embora tenha se dado à atenção à saúde mental adolescente, um elo crucial tem sido ignorado; o bem-estar dos pais.

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A discussões relativas aos transtornos mentais e suicídios dos adolescentes no tocante as mudanças sociais e hormonais típicas desta fase, somadas ao distanciamento da pandemia e os efeitos das redes sociais, foram ampliadas; porém os problemas de falta de saúde mental dos pais e mães desses jovens não estão tão fortemente no foco de atenção. Se os cuidadores estão doentes como podem desempenhar esta função tão importante?

Acredito que todos nós testemunhamos no durante e pós pandemia, muitos reencontros e; também divórcios. Ou seja, famílias se mantendo pelo amor que fora testado e outras famílias desfazendo-se, tudo com os impactos decorrentes para ambos os lados.

Em dezembro de 2022, duas pesquisas feitas nos EUA pela Universidade de Harvard, uma com os jovens e outra com pais e cuidadores identificaram que os pais e os adolescentes sofrem com índices parecidos de problemas de saúde mental.

A pesquisa estimou que um terço dos adolescentes americanos tenha ao menos um dos pais sofrendo de ansiedade ou depressão. E 40% desses jovens se diziam preocupados com o estado mental de seus pais. E os dados também indicam que adolescentes deprimidos têm cinco vezes mais chance de ter um pai ou mãe deprimido.

O fato é que estes jovens e pais depressivos e ansiosos podem ferir uns aos outros de muitas formas.

O paradoxo aqui é que muito geralmente pessoas que colocam filhos no mundo, quiseram isso, empenharam-se para isso Por outro lado, agora que estão todos aí, na sociedade, convivendo neste mundo; ao invés das pessoas estarem cercadas de amor, leveza e aprendizado mútuo impactando tudo e a todos de maneira benéfica, muitos estão doentes, sem leveza e com famílias desestruturadas e doentes.

Importante estar consciente para lutar pelos seres que amamos, observar o perigo das acomodações e ilusões de que tudo está bem/bom e certo; quando em verdade as coisas estão desorganizadas, desarrumadas e disfuncionais.

Muitos paradoxos ainda merecem ser mencionados, porém por ora ficaremos com estes para uma boa e oportuna reflexão.

E para aqueles que se divorciaram deixo aqui uma breve mensagem que vi outro dia e que não é de minha autoria, mas que entendo muito adequada:

DIVORCIADOS?

MAMÃE NÃO ME FALE MAL DO PAPAI.

PAPAI NÃO ME FALE MAL DA MAMÃE.

NÃO ESTRAGUEM AS IMAGENS SAGRADAS QUE TENHO.

O ÓDIO ENTRE VOCÊS PARA MIM É TRISTEZA, DOR E SOLIDÃO.

JUNTOS OU SEPARADOS VOCÊS SEMPRE SERÃO MEUS PAIS.

Que rumo tomaremos? Salvação ou Destruição?

*por Viviane Ribeiro Gago, facilitadora em Desenvolvimento Humano, autora dos livros A Biografia de uma pessoa comum, Olhares para os sistemas, Advocacia Corporativa, dentre outros; advogada e mestre em Direito das Relações Sociais. Mais informações em site

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