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Epidemia de insatisfação: qual é o papel do RH?

Por Ricardo Haag

O que sua empresa deve oferecer para que você esteja feliz em seu trabalho? Essa é uma resposta muito subjetiva, mas que, mesmo assim, podemos notar um certo padrão no mercado entre as gerações profissionais. Em uma nova pesquisa feita pela WeWork, dados preocupantes mostraram que estamos presenciando uma epidemia de insatisfação, emergindo não apenas no nosso país, como também em nível macro latino-americano – a qual precisa ser devidamente investigada para evitar prejuízos severos na retenção dos profissionais, sua felicidade e produtividade.

É importante analisar como este conceito de felicidade no trabalho sofre mudanças constantes com o passar do tempo. Afinal, se antes, o fato de estar empregado e receber uma boa remuneração segura era motivo suficiente para essa satisfação, hoje os critérios são outros.

Conforme o mercado foi ganhando cada vez mais volatilidade e novas oportunidades de carreira, foi emergindo em empresas dos mais diversos segmentos um maior poder de barganha entre os profissionais. Hoje, eles também têm o poder de escolher onde querem trabalhar, e analisam os critérios considerados por cada um como essenciais em uma vaga antes de se candidatarem.

Essa mudança de comportamento fez com que, hoje, muito dessa insatisfação identificada pelo estudo esteja atrelada ao modelo de trabalho imposto pelas empresas. Segundo os dados divulgados, cerca de 55% dos profissionais afirmaram que não estão contentes com seu atual emprego – sendo que, deles, 25% disseram se incomodar com a falta de flexibilidade em suas rotinas, tido como um dos fatores mais valorizados em uma vaga atualmente.

A preferência por oportunidades que ofereçam essa característica foi fortemente impulsionada e democratizada com a pandemia, período que fez com que 68% dos profissionais passassem a valorizar mais o bem-estar e a qualidade de vida, ainda segundo a pesquisa. Afinal, ao trabalharem remotamente ou, pelo menos, em um formato híbrido, as sensações de liberdade e autonomia são inegáveis, evitando desgastes no trânsito, tendo um maior conforto de poderem trabalhar de suas casas e, com isso, terem uma maior produtividade em suas funções.

Não há como negar esses benefícios que o trabalho à distância proporciona. Mas, também não podemos negligenciar os contras que esses modelos geram, principalmente no que diz respeito ao relacionamento entre os times. A perda da proximidade física entre as equipes é um fator crucial para um enfraquecimento da sinergia profissional em suas rotinas, o que é argumentado por muitas companhias que ainda preferem estabelecer modelos presenciais de trabalho.

Equilibrar essas preferências entre a contratante e os contratados é uma missão complexa para o RH e, nem sempre, será possível agradar a todos igualmente. Por isso, é essencial que este departamento preze por alguns cuidados para que consigam assegurar que haja coerência entre o discurso corporativo e o que será colocado em prática e refletido diretamente em suas equipes.

Recrutar talentos que estejam aderentes aos valores empresariais e ao seu mindset é o ponto básico a ser seguido neste processo, escolhendo aqueles que tenham, verdadeiramente, um fit organizacional, de forma que seja mais fácil receber e reter este profissional.

Com o time formado, é dever do RH aplicar um mapeamento interno a fim de identificar o que eles valorizam – seja momentos de descontração como happy hour, emendas de feriado, bônus salariais, ou outros fatores.

Compreender esses gatilhos é o que ajuda este departamento a construir uma relação de mais confiança entre as partes, colocando em prática as medidas necessárias perante os objetivos estipulados e sempre mantendo uma comunicação clara com todos, explicando os motivos pelos quais as ações estão sendo adotadas e o que é esperado com cada uma delas.

Sempre existirão diversos atrativos que serão desejados pelos profissionais em uma oportunidade de trabalho. Conciliar essas expectativas com a cultura organizacional não é simples, mas, com essas dicas incorporadas e mantidas pelo RH no dia a dia, será possível assegurar um melhor alinhamento entre as partes, garantindo o recrutamento de profissionais que estejam aderentes a essas características, seu engajamento e felicidade no ambiente de trabalho.

Ricardo Haag é sócio da Wide, consultoria boutique de recrutamento e seleção.

Sobre a Wide:

https://wide.works/

Com mais de 30 anos somados de recrutamento especializado e mais de 20 mil entrevistas realizadas, o propósito da Wide, empresa de recrutamento e seleção de alta gerência, é construir legados, seja o das empresas contratantes, o dos candidatos e o seu próprio.

 

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