Recentemente, o setor de supermercados divulgou que tem 357 mil vagas abertas para as mais variadas funções em todo o Brasil, mas está tendo dificuldade para o preenchimento dessas vagas. Pensando em uma solução, a Associação Brasileira de Supermercados desenvolveu um aplicativo que pretende atrair e conectar egressos do Exército a vagas de emprego nas redes varejistas de todo o país. Essa iniciativa também foi implantada por uma companhia de distribuição de energia elétrica, que busca integrar egressos do Exército em suas operações através do oferecimento de cursos de eletricistas. Outra iniciativa que tem me chamado a atenção é a contratação de pessoas com mais de 50 anos.
O meu ver, é que essas iniciativas são muito boas, pois integram pessoas à sociedade e oferecem oportunidade de emprego e integração dos mais experientes ao mercado de trabalho. Porém, o que parece uma evolução do mercado de trabalho pode ser encarado como um sinal de alerta, que pode impactar o futuro do mercado de trabalho, principalmente daquelas empresas que necessitam de mão de obra mais intensiva e precisam funcionar 7 dias na semana, operando na escala de trabalho 6×1.
Durante os últimos anos, as empresas implementaram estruturas de trabalho mais flexíveis, como o home office, escalas de trabalho 5×2, semana de 4 dias, e modelos de gestão como a holocracia, um sistema de gestão organizacional caracterizado pela distribuição do poder através de uma rede de círculos auto-organizados em vez de uma hierarquia tradicional. Esse modelo proporciona mais flexibilidade e participação nas decisões, mas, por outro lado, faz com que os funcionários tenham mais responsabilidades e uma ascensão a cargos de liderança ou desenvolvimento de carreira mais incertas.
Infelizmente, essa dualidade entre dois modelos de gestão, onde as empresas precisam trabalhar em dois sistemas — nos moldes da Revolução Industrial, que requer mão de obra mais intensiva, e outro em que o funcionário tem mais flexibilidade — tem causado ruído no mercado de trabalho. As novas gerações não aceitam mais trabalhar em sistemas onde a hierarquia e o trabalho intensivo estejam presentes, e muitas vezes as abandonam ou adoecem, pois, não aceitam que, no final das contas, o que prevalece nas empresas é o propósito delas e não os individuais de cada um.
Por outro lado, as empresas buscam um modelo híbrido de liderança que combine hierarquia e holocracia, onde se encontre um equilíbrio entre a tomada de decisão, a adaptabilidade e o desenvolvimento dos colaboradores.
Ao refletirmos sobre essas mudanças, uma pergunta se impõe: como podemos nos preparar para um futuro em que o trabalho é constantemente redefinido? A adaptabilidade parece ser a chave. Será que estamos prontos para abraçar o novo e encontrar nosso lugar em um mercado em transformação? É hora de começarmos a planejar e agir proativamente.
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