O ambiente corporativo atravessa uma fase de mudança. Enquanto a tecnologia acelera e a produtividade torna-se a métrica reinante, silenciamos, muitas vezes, o custo humano dessa estratégia. Em pleno 2026, discutir a “motivação” no trabalho exige coragem para questionar se estamos, de fato, engajando talentos ou apenas gerenciando o limite biológico de nossos colaboradores.
O cenário cearense é um espelho vibrante dessa dualidade. Com a geração de 12,1 mil vagas formais no primeiro trimestre de 2026 — um salto notável que nos coloca na vanguarda do Nordeste — celebramos o crescimento. Contudo, o sucesso dos números não pode esconder a sombra que se projeta sobre nossas salas de reunião e fábricas: o aumento exponencial dos afastamentos por transtornos mentais.
A conexão entre a motivação exacerbada e o Burnout é o “bode na sala” que o RH precisa encarar. A cultura de “vestir a camisa” tem sido, inadvertidamente, convertida em combustível para o esgotamento.
Quando a motivação é imposta como um imperativo de alta performance constante, ela se torna “doping corporativo” — termo explorado pela autora Daniela Bauab no livro “Doping corporativo” que investiga o uso de medicamentos no ambiente de trabalho para enfrentar o dia a dia corporativo, importante: se você suspeita que precisa de ajuda procure um profissional médico para não piorar o problema. Nesse contexto, o estimulante de menor poder ofensivo usado no ambiente corporativo é um “energético para aguentar o tranco” que, apesar de parecer benéfico, se consumido em excesso, pode trazer riscos à saúde também.
O colaborador, buscando reconhecimento, ignora os sinais de exaustão, até que o sistema colapsa sob a forma de ansiedade ou depressão — patologias que hoje lideram as estatísticas de concessão de benefícios previdenciários no Brasil e causam sobrecarga no sistema previdenciário.
Aqui, o papel da liderança torna-se inegociável. O líder contemporâneo não é mais aquele que pressiona o cronômetro, mas o gestor que protege a energia da equipe. A verdadeira motivação é sustentável e nasce da segurança psicológica. Um líder que pratica a escuta ativa e valida a vulnerabilidade não está “amolecendo” o negócio; ele está blindando a organização contra a rotatividade excessiva e o adoecimento coletivo, mas há, contudo, quem ainda perpetue a cultura da exaustão como troféu, chegando ao escritório com um energético na mão e outro na mochila — dando um mau exemplo que invisibiliza o sofrimento alheio.
Precisamos, urgentemente, desconstruir a ideia de que o Burnout é uma fraqueza individual. Ele é, invariavelmente, um subproduto de uma gestão que ignora a humanidade do trabalhador. Sendo assim, é preciso que nossos empresários e gestores respeitem o tempo, as características e, acima de tudo, a saúde mental de cada colaborador.
A motivação não deve ser a escada para o esgotamento, mas o alicerce para uma produtividade digna. Afinal, uma empresa só é verdadeiramente próspera quando seus profissionais voltam para casa, ao fim do dia, com a saúde — física e mental — intacta.
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O Dilema da Motivação: Entre a Alta Performance e o Esgotamento Humano
O ambiente corporativo atravessa uma fase de mudança. Enquanto a tecnologia acelera e a produtividade torna-se a métrica reinante, silenciamos, muitas vezes, o custo humano dessa estratégia. Em pleno 2026, discutir a “motivação” no trabalho exige coragem para questionar se estamos, de fato, engajando talentos ou apenas gerenciando o limite biológico de nossos colaboradores. O -

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