Gestão de pessoas e Geração Z: desafios, valores e inovação no mercado de trabalho atual.
Nos últimos anos, as transformações no mundo do trabalho têm sido intensas e irreversíveis. Entre todas as mudanças que presenciamos, talvez a mais significativa seja a chegada definitiva da Geração Z ao mercado profissional. Esses jovens, nascidos em meio à tecnologia, à hiperconectividade e à fluidez cultural, trazem consigo uma nova lógica de valores e prioridades. Segundo projeções do IBGE, em 2050, eles representarão a maioria da população economicamente ativa. Diante desse cenário, as empresas não podem mais adiar o ajustamento. É preciso mudar o modelo de gerir e assim entender bem o que essa geração quer.
Uma das primeiras reflexões que devemos fazer diz respeito à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O que antes era sinônimo de segurança e direitos garantidos, hoje é visto por muitos jovens como um símbolo de rigidez e, em alguns casos, de fracasso profissional. Isso não significa que os jovens não valorizam vínculos formais, mas que esperam mais do que estabilidade: buscam propósito, liberdade e reconhecimento. A CLT, para ser revitalizada, precisa estar inserida em um contexto que valorize a pessoa e sua individualidade, e não apenas sua produtividade.
Além disso, a escuta seleta tem se mostrado uma ponte poderosa para reduzir a distância entre gerações e alinhar expectativas. Quando as empresas estão dispostas a escutar de verdade e mostram que se importam com o que os jovens pensam, não só fazem a relação com seus talentos mais forte, mas também fazem mais gente se envolver e ter ideias novas nos grupos. Essa chance de diálogo tem que vir com um jeito de falar claro e direto, que faz as pessoas confiarem umas nas outras. Outra coisa muito importante é fazer todos se sentirem que fazem parte da organização.
Outro ponto essencial nessa equação é o fortalecimento do senso de pertencimento. Em um mercado cada vez mais globalizado e remoto, os jovens precisam sentir que fazem parte de algo maior, que suas contribuições têm valor e que estão inseridos em uma cultura que os acolhe. A troca entre gerações, quando incentivada de forma estruturada, permite a construção de ambientes mais colaborativos, em que inovação e aprendizado caminham juntos.
A tecnologia, deve ser uma aliada e não uma barreira. Automatizar processos, simplificar fluxos e oferecer ferramentas intuitivas são medidas que conversam diretamente com uma geração habituada à eficiência digital. No entanto, é fundamental lembrar que nenhuma tecnologia substitui o fator humano. Por isso, o uso estratégico da tecnologia precisa ser equilibrado com uma gestão empática, capaz de reconhecer talentos e estimular o desenvolvimento contínuo.
Não podemos esquecer, ainda, da importância de oferecer desafios reais e experiências de aprendizado significativo. Jovens da Geração Z não querem apenas cumprir tarefas; eles desejam resolver problemas, propor soluções e deixar sua marca. Isso pode dar certo em locais que ajudam a pensar de modo crítico e que dão liberdade com uma direção bem clara. Nesse caminho, manter a vida pessoal e a do trabalho em harmonia fica cada vez mais essencial. Flexibilidade, respeito às individualidades e uma cultura que valorize o bem-estar deve fazer parte da estrutura organizacional.
Relatórios recentes, como o da Great Place to Work, indicam que muitos gestores ainda veem essa geração como um desafio. Mas talvez a questão não esteja na geração e sim na falta de atualização de modelos de liderança que não acompanham as transformações do tempo. A Geração Z não quer menos responsabilidade; ela quer mais liberdade com significado. Quer independência, mas também quer conexão. Quer novos jeitos, mas sem deixar de lado o se importar com o outro.
Em vez de lutar, é tempo de ouvir, mudar e crescer. A Geração Z não é o amanhã — ela é o agora. E quem não ver isso pode ficar preso a um ontem que não inspira mais ninguém.
Vamos refletir e sucesso!
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