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Liderança além do retrovisor: planejar o futuro exige coragem e não previsão

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Se por décadas o planejamento estratégico foi sinônimo de controle e análise de dados históricos, no contexto atual ele passa a exigir uma dinâmica completamente nova da gestão. Hoje, a capacidade de liderar não reside mais na tentativa de adivinhar o amanhã, mas na coragem de agir e transformar a organização em meio à incerteza.

Marcelo Veras, especialista em Trilhas de Liderança e CEO do Ecossistema Inova, defende que o futuro está longe de ser uma “caixa de Pandora”, de onde sairia qualquer coisa de forma incontrolável. Para ele, ferramentas de pesquisa de tendência, cool hunting e foresight já provam, há mais de cinco décadas, que é possível ter uma visão estratégica e precisa do que está por vir. “Embora o amanhã traga surpresas, ele pode ser mapeado. A velocidade das mudanças se intensifica a cada ciclo e as leituras de tendências precisam ser mais frequentes e profundas para reduzir o risco da ambiguidade”, explica.

Esta volatilidade exige que as empresas adotem o que o especialista chama de ambidestria corporativa — a habilidade de fazer duas coisas bem-feitas ao mesmo tempo: equilibrar a operação do presente com a exploração do futuro. No modelo clássico de gestão, que surgiu no pós-Segunda Guerra Mundial e dominou o mercado até meados de 2020, os líderes eram moldados para focar em indicadores do presente e do passado. “Essa escola tradicional nos ensinou a liderar olhando para o retrovisor e para os espelhos laterais, mas agora precisamos dedicar pelo menos 50% do tempo ao futuro, pois é lá que estaremos”, destaca.

A urgência dessa mudança é reforçada por números alarmantes: estimativas de um estudo mundial da McKinsey apontam que 80% dos modelos de negócio atuais estão em risco e mais de 55% dos CEOs globais já buscam novas frentes transformação e novos negócios para evitar o declínio frente ao surgimento de startups e ecossistemas inovadores.

O papel do RH na construção da cultura de inovação e coragem

Para sustentar essa transição, o departamento de Recursos Humanos assume um protagonismo estratégico ao atuar como o alicerce de uma cultura que suporte o erro e a experimentação. Segundo Veras, o RH é uma das áreas que, nas próximas duas décadas, terá um dos papéis mais relevantes da trajetória da gestão. “Posturas de certezas demais são extremamente perigosas, pois tomar uma decisão correta exige humildade e leitura de contexto. O RH é a mão que a liderança precisa para essa transformação, agindo para que as trilhas de aprendizado abandonem o verniz e foquem em relações de confiança e segurança psicológica”, explica.

Essa mudança, no entanto, precisa romper a barreira dos conselhos e acionistas, que muitas vezes pressionam por resultados previsíveis baseados em modelos mentais antigos. O caminho prático para transitar da “previsão de riscos” para a “gestão da coragem” passa por envolver esses tomadores de decisão em jornadas educacionais sobre tendências e ambidestria. “Acionistas e conselheiros também precisam ser provocados a redefinir seus padrões e certezas. Não é porque tiveram sucesso até aqui que não precisem de uma redefinição de suas convicções”, conclui o especialista.

Sobre Marcelo Veras

Marcelo Veras é especialista em Trilhas de Liderança e CEO do Ecossistema Inova. Professor de Estratégia e Governança na Inova Business School, é autor de 13 livros sobre liderança e educação. Coordena o Comitê de Inovação da Câmara de Comércio Brasil-Suíça, é conselheiro na Amcham e atua em conselhos de empresas familiares, apoiando organizações em processos de transformação e alta performance.

Foto: Pixels

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