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O que os casais felizes ensinam sobre liderança e alta performance

a romantic couple hugging

O ambiente corporativo e as relações amorosas podem parecer universos distantes à primeira vista, mas ambos compartilham a mesma essência: são movidos por conexões humanas. Com a proximidade do Dia dos Namorados, as dinâmicas dos casais bem-sucedidos ganham os holofotes não pelo romantismo, mas por revelarem lições valiosas de gestão. De acordo com Marcelo Veras, especialista em Trilhas de Liderança e CEO do Ecossistema Inova, os ingredientes que sustentam um casamento duradouro são os mesmos que guiam equipes de alto desempenho.

“Relações saudáveis, promissoras e sustentáveis dependem de dois pilares fundamentais: o respeito e a admiração. São eles que constroem a base de confiança e engajamento, seja em um namoro, seja na relação entre líderes e liderados”, aponta Veras. Segundo o especialista, a confiança é o “pilar dos pilares”, e ela só nasce a partir do conhecimento mútuo, pois não é possível confiar ou admirar aquilo que não se conhece.

Dentre esses ingredientes, se a falta de diálogo e o desalinhamento de expectativas são fatais para os casais, o ruído na comunicação corporativa destrói times inteiros. Veras recorre à neurociência para explicar que a forma como as pessoas se comunicam ativa reações químicas e sentimentos imediatos no interlocutor. Por isso, o líder precisa ter responsabilidade com suas palavras, até porque “não há Recall de palavras”.

“A comunicação é a nossa arma mais poderosa para construir ou destruir. Ela precisa ser sempre ‘embrulhada para presente’, ou seja, carregar respeito e consideração. Ruídos derrubam casamentos, relações profissionais e até nações”, alerta. Ele ressalta que divergir faz parte da natureza humana, mas casais maduros e líderes eficazes resolvem atritos com inteligência emocional, expondo abertamente o que sentem sem ultrapassar o limite crítico: “Os erros não podem dinamitar o pilar da confiança”, adverte.

Ambidestria e o compromisso com o amanhã

Outro ponto de convergência entre os dois mundos é a necessidade de equilibrar a rotina atual com os planos de longo prazo, conceito conhecido nas empresas como ambidestria corporativa. Assim como um casal precisa cuidar das finanças de hoje sem deixar de planejar os sonhos de amanhã, uma liderança precisa manter a operação rodando enquanto incentiva a inovação.

Para Veras, essa visão conjunta é o que define o verdadeiro engajamento. “Há uma diferença crucial entre estar envolvido e estar engajado. A raiz da palavra engajamento carrega a ideia de futuro. Uma pessoa engajada, seja no casamento ou na empresa, escolhe estar ali porque enxerga e deseja um futuro compartilhado. O hoje é execução, mas o futuro é o planejamento conjunto”, explica.

Essa construção de futuro exige um ambiente seguro. O especialista destaca que o antigo modelo de gestão baseado em comando e controle — que predominou do pós-Segunda Guerra até aproximadamente 2020 e utilizava o medo e a instabilidade como motores de produtividade — está falido. Com as mudanças geracionais e o cerco legal e social contra as chamadas “fábricas de burnout”, a segurança psicológica tornou-se uma exigência de mercado. “As pessoas florescem quando se sentem validadas e têm espaço para errar e aprender. Inúmeras pesquisas comprovam que a segurança psicológica, quando equilibrada com uma gestão de desempenho firme e cobrança por resultados, eleva a performance de forma sustentável”, pondera.

Para os líderes que desejam transformar o clima de suas equipes, o executivo deixa uma regra de ouro inspirada nos casais felizes: priorizar as relações humanas. “Promova um ambiente em que as pessoas se conheçam de verdade. Do conhecimento nasce o respeito, do respeito vem a admiração, e dessa cadeia surge a confiança indispensável para o alto desempenho”, conclui.

Sobre Marcelo Veras

Marcelo Veras é especialista em Trilhas de Liderança e CEO do Ecossistema Inova. Professor de Estratégia e Governança na Inova Business School, é autor de 13 livros sobre liderança e educação. Coordena o Comitê de Inovação da Câmara de Comércio Brasil-Suíça, é conselheiro na Amcham e atua em conselhos de empresas familiares, apoiando organizações em processos de transformação e alta performance.

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