Por Pedro Paulo Morales
Durante muito tempo, imaginamos como seria “ser chefe”. Quando se queria elogiar alguém, dizia-se: “aí, patrão!” ou “diga, meu chefe!”. Aquela figura bem paga, com poder de decisão e que sempre resolvia os problemas era um herói!
No entanto, dados recentes da Harvard Business Review mostram que a vida do líder moderno não é bem assim. Segundo a pesquisa, 96% das lideranças relatam enfrentar altos níveis de estresse e 33% sentem-se à beira do esgotamento. Esse cansaço não impacta apenas a vida pessoal; ele compromete a qualidade da gestão. Afinal, quando o capitão do navio está exausto, ele tem dificuldade para interpretar os instrumentos de navegação.
Esses níveis elevados de estresse na gestão são um problema sério, pois o desgaste não fica restrito ao “andar de cima”: ele escorre para todos os níveis da empresa. Um líder estressado trabalha em estado reativo, decidindo sem reflexão ou análise prévia. Ansioso e com medo de perder o controle, ele falha na comunicação com sua equipe e com seus próprios superiores.
Sabemos que um gestor que não controla as próprias emoções oferecerão dificilmente o que as equipes mais precisam hoje: segurança psicológica. Em ambientes inseguros, as pessoas “travam”. Têm medo de criar ou opinar. Isso gera um custo financeiro oculto e difícil de mensurar: o custo da decisão não tomada.
O gestor brasileiro também sente o peso. Uma pesquisa do LinkedIn indica que 87% dos profissionais no país se sentem sobrecarregados. Criou-se uma cultura que confunde “correria” com produtividade, um exemplo disso é que hoje em dia responder um e-mail em minutos é o ápice da competência. Essa paranoia transformou equipes em brigadas de incêndio, onde o único objetivo é apagar o fogo do momento.
Há quem argumente que a pressão é inseparável do cargo e o bônus compensa o ônus. É uma visão ultrapassada. Se fosse verdade, as gerações mais novas não rejeitariam tanto a liderança. O custo de remediar uma decisão estratégica errada, tomada sob estresse, é muito maior do que o investimento em bem-estar.
A saúde mental de todos que compõem a empresa precisa ser um ativo estratégico. É preciso decidir se queremos líderes que inspirem ou líderes que apenas sobrevivam. Se o ambiente corporativo continuar sendo um mar de insegurança, em breve não haverá quem queira — ou quem consiga — ser o capitão do navio.
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