Avanço tecnológico cresce nas organizações, porém especialistas alertam que falta de gestão preparada pode limitar produtividade, engajamento e resultados
A inteligência artificial ganhou espaço nas empresas. A tecnologia entrou na rotina de diferentes áreas e passou a influenciar decisões de negócio, mas outro desafio cresceu junto: preparar líderes para conduzir essa mudança.
Levantamento global da PwC divulgado em 2026 mostra que 56% dos CEOs afirmam não ter registrado ganhos relevantes de receita nem redução de custos com inteligência artificial nos últimos 12 meses. O dado indica que investir em tecnologia, sozinho, não resolve.
Para Débora Medeiros, sócia da Humanii, consultoria especializada em desenvolvimento humano e organizacional, o ponto central ainda está nas pessoas. “Empresas que conseguem avançar são as que combinam tecnologia com liderança preparada. A IA ajuda a ganhar velocidade, mas não substitui liderança clara, confiança nas equipes e capacidade de conduzir mudanças”, afirma.
Segundo a especialista, muitas empresas aceleraram investimentos, mas mantiveram velhos problemas de gestão. “Em vários casos, a tecnologia chega antes da clareza. Persistem prioridades confusas, excesso de demandas e comunicação falha. A ferramenta entra, mas o ambiente continua travado”, diz.
Na avaliação da especialista, o papel do gestor ficou mais complexo. Hoje, além de entregar resultado, ele precisa dar direção, reduzir ruído e apoiar a adaptação das equipes. “Diante de novas tecnologias e um ambiente mais dinâmico, as pessoas estão mais ‘confusas’, sofrendo mais pressões e até adoecendo. O gestor também está neste cenário e precisa ‘dar conta’ do todo”, destaca.
Outro risco está em somar novas ferramentas a rotinas já ineficientes. “Há empresas com tecnologia nova e processos antigos: muitas reuniões, decisões lentas e pouca autonomia. Assim, o ganho tende a ser menor do que o esperado”, afirma.
Para a Debora, as organizações que irão se destacar serão aquelas capazes de unir inovação, cultura saudável e lideranças maduras. “No curto prazo, muitos terão acesso às mesmas ferramentas. A diferença estará em quem prepara melhor as pessoas para evoluir junto com elas”, conclui.
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