Home / Recursos Humanos / A Escala 5×2 é a Nova Produtividade: Por Que o Descanso Não é Prejuízo

A Escala 5×2 é a Nova Produtividade: Por Que o Descanso Não é Prejuízo

Por Pedro Paulo Morales – Jornalista | Especialização em PSC- Professional and Self Coaching | Editor de Conteúdo do Site Falando de Gestão | Professor de Ensino à Distância | PCD

O Brasil está em um momento muito importante em relação às mudanças nas leis trabalhistas. Sabemos por realização de pesquisa que as taxas de burnout e doenças mentais relacionadas ao trabalho estão muito altas, a rigidez da jornada de 44 horas semanais, que frequentemente exige a escala 6×1, é um dos principais fatores que contribuem para isso.

Na realidade, se considerarmos que nos grandes centros urbanos os trabalhadores levam até duas horas para ir ao trabalho e igual tempo de deslocamento para a volta para casa, estamos na realidade considerando que o trabalhador gaste metade de horas do seu dia na jornada laboral.

A adoção da jornada 5×2 com redução da carga horária para 40 ou 36 horas semanais aprovada pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado não é apenas uma medida de bem-estar social ou como opiniões contrarias dizem que o projeto é para atender o choro da classe trabalhadora, mas um projeto que deve ser encarado como uma estratégia econômica inteligente e necessária para o aumento da produtividade nacional e qualidade de vida do trabalhador.

A crença de que mais horas significam mais produtividade está ultrapassada. O foco agora é na qualidade das entregas e no bem-estar dos funcionários. Países como Islândia e Reino Unido mostram que jornadas menores e descanso adequado aumentam foco, eficiência e reduzem erros ao evitar fadiga acumulada.

A adoção da jornada 5×2 proporciona um equilíbrio mais saudável entre trabalho e vida pessoal, tornando-se fundamental na prevenção de doenças ocupacionais. O estresse e o esgotamento impactam não só o indivíduo, mas também o sistema público de saúde e as empresas, ao elevarem os índices de absenteísmo e rotatividade.

Ter o final de semana livre é essencial para fortalecer laços familiares, realizar atividades pessoais e recarregar as energias, porém temos um desafio muito grande pela frente que é como fazer para que todos tenham direito a descanso no final de semana e não parar a economia?

Reconhecemos que a transição para o 5×2, especialmente em setores de funcionamento contínuo (24×7), apresenta desafios logísticos. O principal objetivo social da proposta é fortalecer o convívio familiar, permitindo que as famílias desfrutem de tempo conjunto.

Para mitigar o desafio de conciliar o direito ao descanso de todos com o não fechamento total da economia, é necessário que o setor produtivo e o governo explorem a flexibilização coordenada. Isso inclui o uso inteligente de tecnologia para coordenar escalas de folgas de cônjuges ou, em uma perspectiva mais ampla, adaptar o calendário de atividades não essenciais para garantir que a maioria dos trabalhadores possa usufruir de seu descanso. O empregador, portanto, deve enxergar a redução da jornada como um investimento estratégico em capital humano.

Apesar dos receios do setor produtivo quanto ao aumento de custos e necessidade de novas contratações, a redução da jornada para o modelo 5×2 traz benefícios duradouros. O ganho de eficiência, redução de despesas indiretas com saúde e diminuição do retrabalho equilibram eventuais custos adicionais. Além disso, a geração de empregos impulsiona a economia, ampliando o consumo. O foco no custo imediato não pode impedir avanços sociais já comprovados em países desenvolvidos, revelando o potencial positivo da medida.

Modernizar o contrato social do trabalho é essencial. A redução da jornada semanal e o padrão 5×2 são passos para sair da exaustão e entrar na era da eficiência. Valorizar a qualidade de vida do trabalhador é investir no motor mais potente e duradouro da economia nacional.

Leia Mais

  • Líderes no Limite: O Custo Invisível do Estresse nas Organizações

    Por Pedro Paulo Morales Durante muito tempo, imaginamos como seria “ser chefe”. Quando se queria elogiar alguém, dizia-se: “aí, patrão!” ou “diga, meu chefe!”. Aquela figura bem paga, com poder de decisão e que sempre resolvia os problemas era um herói! No entanto, dados recentes da Harvard Business Review mostram que a vida do líder moderno não
  • Uma boa organização é uma forma silenciosa de liderança

    Muito se fala na maneira de liderar, mas, o meu ver, a liderança possui vários vieses. O líder pode ser aquele que chamamos líder de palco ou egocêntrico, aquele líder que gosta de aparecer e gosta de falar de si e se alto promover, falar que sem ele sua equipe não produz nada. Temos também
  • O Movimento NOLD: O Fim da “Validade” Humana

    O tempo mudou — e, com ele, a percepção sobre o envelhecimento. A clássica imagem do idoso restrito à cadeira de balanço, limitado ao consumo passivo da programação televisiva, perdeu espaço para uma geração que desafia paradigmas e ressignifica a própria trajetória. Lembro-me vividamente de visitar minha avó, sempre entretida diante da televisão nos domingos
  • Além das Paredes: A Cultura Organizacional como o Grande Ativo de 2026

    Ao final de cada ano, realizamos o planejamento das atividades para o ano seguinte e, com 2026 se aproximando, não poderia ser diferente. Analisando as principais tendências em recursos humanos que ganharão destaque em 2026, ressalto que a cultura organizacional praticada pelas empresas será um dos temas mais recorrentes. Não bastará mais exibir, na recepção,
  • A Escala 5×2 é a Nova Produtividade: Por Que o Descanso Não é Prejuízo

    O Brasil está em um momento muito importante em relação às mudanças nas leis trabalhistas. Sabemos por realização de pesquisa que as taxas de burnout e doenças mentais relacionadas ao trabalho estão muito altas, a rigidez da jornada de 44 horas semanais, que frequentemente exige a escala 6×1, é um dos principais fatores que contribuem para isso.

    Na realidade, se considerarmos que nos grandes centros urbanos os trabalhadores levam até duas horas para ir ao trabalho e igual tempo de deslocamento para a volta para casa, estamos na realidade considerando que o trabalhador gaste metade de horas do seu dia na jornada laboral.

Banner
Marcado:

Deixe um Comentário

Descubra mais sobre Falando de Gestão

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading