Muitas pessoas estão no escritório, mas a mente pensa na recompensa rápida das apostas. Para alguns, porém, o uso deixa de ser uma forma de lazer e passa a afetar a saúde mental, as relações e o desempenho profissional.
Agora, com a proibição das apostas/bets no Brasil, ao mesmo tempo que temos um alívio para as famílias, as empresas terão que lidar com possíveis problemas que podem surgir no ambiente corporativo por problemas de abstinência causados pela falta de acesso aos jogos de azar virtuais.
Quando um funcionário apresenta sintomas associados à abstinência, a empresa precisa responder com equilíbrio: menos vigilância e julgamento, e mais acolhimento, orientação e encaminhamento adequados.
A Organização Mundial da Saúde reconhece transtornos relacionados ao uso problemático de jogos como uma questão de saúde. Nesse contexto, a interrupção do uso pode vir acompanhada de sofrimento emocional e mudanças no comportamento, com impactos também no ambiente de trabalho. Uma eventual decisão de desligamento não deve ser tratada como resposta automática ao problema, especialmente sem antes avaliar as circunstâncias e orientar o funcionário sobre os recursos de apoio disponíveis.
Áreas como Recursos Humanos, a medicina do trabalho e as lideranças podem estabelecer um protocolo claro para essas situações. O ponto de partida é perceber mudanças relevantes, como ansiedade, irritabilidade, faltas recorrentes ou queda no desempenho, sem transformar esses sinais em diagnóstico. Cabe aos gestores registrar preocupações objetivas, conversar com respeito e acionar o RH ou os profissionais de saúde responsáveis.
A conversa deve acontecer em ambiente reservado, com linguagem cuidadosa e respeito à privacidade. Em vez de acusar ou pressionar, é mais adequado relatar o que foi observado, ouvir o funcionário e explicar quais formas de apoio a empresa pode oferecer. As informações devem ser tratadas com confidencialidade, dentro dos limites necessários para garantir o cuidado e a segurança no trabalho.
O encaminhamento para avaliação médica ou psicológica é uma etapa essencial. A empresa não deve tentar diagnosticar nem tratar a abstinência internamente. Se houver necessidade de afastamento ou de ajustes temporários na rotina, o procedimento deve seguir as orientações dos profissionais de saúde e as políticas aplicáveis, mantendo o funcionário informado e amparado durante o processo.
Também é importante pensar no período posterior ao atendimento inicial. Programas de Assistência ao Empregado, quando disponíveis, acompanhamento profissional e, em alguns casos, orientação financeira podem ampliar a rede de suporte e ajudar a reduzir fatores que dificultem a recuperação. Essas iniciativas devem complementar, e não substituir, o cuidado especializado.
A empresa tem um papel importante, mas não clínico, diante de situações de abstinência relacionada aos jogos de azar virtuais. Ao acolher sem estigmatizar, preservar a confidencialidade e encaminhar o funcionário a profissionais de saúde, a organização mostra que se preocupa com o seu empregado fornecendo a ele um ambiente mais seguro e saudável. Cuidar das pessoas fortalece relações de trabalho, a produtividade e ainda colabora para que a empresa fique mais competitiva.










