Por Pedro Paulo Morales
Há algo de novo — e, profundamente simbólico — no comportamento da Geração Z que começa a chamar a atenção dos mais atentos: a recusa ao exagero, a desaceleração como escolha e uma necessidade urgente de bem-estar. Eles estão trocando os bares pelas cafeterias, as noitadas pelas manhãs produtivas, e os coquetéis alcoólicos pelos cafés filtrados em roda de amigos. As chamadas coffee parties não são apenas uma nova moda — são um reflexo silencioso de um tempo que clama por menos barulho e mais sentido.
Esse fenômeno não surge por acaso. Em tempos de violência urbana crescente, crise ambiental e relações de trabalho cada vez mais instáveis, a Geração Z parece estar buscando respostas em outro lugar. E essas respostas não estão mais na balada das cinco da manhã ou no copo cheio de álcool. Estão na busca por equilíbrio. Essa geração, nascida na era da hiperconexão e da exaustão digital, sabe que a saúde mental não é luxo. É condição básica para sobreviver.
E talvez, por isso, tantos jovens dessa geração estejam questionando também o modelo tradicional de trabalho. A tão sonhada carteira assinada — símbolo de segurança para gerações anteriores — já não brilha com a mesma força. Muitos não querem fazer parte de uma engrenagem que cobra produtividade sem oferecer bem-estar. Querem trabalhar, sim, mas com propósito. Querem ganhar dinheiro, claro, mas sem adoecer por dentro. A pergunta que fica é: o mundo está preparado para acolher esse novo modelo de viver e produzir?
O grande dilema está posto. O sistema capitalista, ávido por crescimento e consumo, parece não saber o que fazer com essa juventude que não quer mais comprar o que não precisa, que rejeita padrões impostos e que prefere uma noite de autocuidado a uma pista de dança cheia. Em resposta, o mercado tenta reinventar produtos e vender o bem-estar como nova mercadoria. Mas será que essa estratégia cola? Será que basta rotular o mesmo consumo de sempre como “lifestyle saudável” para conquistar essa geração que, no fundo, quer apenas paz?
A verdade é que a Geração Z está nos dando uma lição: viver bem é mais importante do que viver rápido. Talvez ainda não tenhamos entendido completamente essa mudança de rota, mas uma coisa é certa — ela está em curso. E quanto mais resistirmos, mais distante ficaremos desse novo tempo que, mesmo silencioso, já ecoa em muitas decisões.
Vamos refletir e sucesso!
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