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Erro na contratação pode custar 30% do salário anual de executivos

Com base em levantamentos recentes da Consultoria LHH, Gustavo Coimbra, Diretor da empresa, analisa os impactos de uma contratação equivocada e da vacância executiva, apontando que as empresas precisam estar atentas na hora de contratar

Levantamentos da Consultoria LHH sobre tendências globais de gestão indicam, entre outras coisas, que as empresas precisarão rever com urgência seus modelos de contratação executiva, sob risco de perdas financeiras e estratégicas significativas. A discussão ganha força diante do crescimento acelerado do modelo Talent-as-a-Service, que, segundo projeções do estudo da LHH, resumido no e-book “Futuro da Liderança: 2025-2030”, deve saltar de US$ 387 milhões em 2022 para US$ 1,173 bilhão até 2032.

De acordo com Gustavo Coimbra, Diretor da Divisão de Recrutamento Executivo da LHH, o avanço desse mercado acompanha um movimento de revisão das narrativas tradicionais sobre contratação e retenção de talentos, que passam a exigir maior profundidade analítica e foco no valor real gerado pelas lideranças. Segundo ele, dados recentes indicam que uma contratação executiva malsucedida pode gerar custos diretos equivalentes a, no mínimo, 30% do salário anual do cargo. “Na realidade, o impacto pode ser ainda maior quando considerados fatores indiretos, como prejuízos à estratégia, ao clima organizacional e ao desempenho corporativo”, detalha.

Outro fator crítico é o custo da vacância executiva. Para muitos especialistas, o prejuízo financeiro pode ser calculado a partir da contribuição anual do cargo dividida pelos dias úteis, multiplicada pelo período em que a posição permanece vaga, acrescido de custos adicionais e oportunidades perdidas. Além disso, lembra Coimbra, no Brasil, encargos trabalhistas, benefícios obrigatórios e despesas com desligamentos ampliam significativamente esse impacto, tornando ainda mais oneroso refazer contratações em posições estratégicas.

Nesse contexto, cresce o entendimento de que a liderança interina pode representar uma vantagem competitiva e não apenas uma solução temporária. “O conceito de Retorno sobre o Talento (ROT) vem ganhando destaque ao propor que empresas tratem seus profissionais como ativos estratégicos, mensurando o valor efetivamente gerado por líderes e equipes”, ressalta o Diretor, acrescentando que organizações com alto ROT tendem a identificar posições críticas com maior precisão, alocar lideranças compatíveis com os desafios do negócio, avaliar prontidão e aderência cultural e estruturar programas robustos de integração e desenvolvimento.

Na prática, especialistas recomendam que empresas estabeleçam critérios claros de sucesso para cargos estratégicos, utilizem avaliações estruturadas para mapear riscos e potencial, validem a compatibilidade cultural dos executivos e implementem programas de onboarding entre 90 e 120 dias, acompanhados por iniciativas de coaching e mentoria.

Coimbra lembra que pesquisas conduzidas em 2025 apontaram que 84% das empresas brasileiras planejavam ampliar ou renovar seus quadros executivos, tendência que deve se manter em 2026, porém com maior seletividade. As contratações devem se concentrar principalmente em funções ligadas à transformação digital, energia, finanças, estratégia e operações.

Outro dado relevante, revela ele, é que entre 70% e 85% das contratações executivas no Brasil e na América Latina ainda ocorrem no chamado “mercado oculto”, por meio de networking e movimentações informais. “Esse cenário reforça a necessidade de combinar relacionamento estratégico com metodologias estruturadas de seleção, reduzindo riscos e ampliando a assertividade das decisões”, alerta.

Para finalizar, corroborando com vários especialistas do setor, Gustavo Coimbra diz que o principal desafio das organizações não é apenas contratar, mas compreender como gerar valor sustentável por meio da liderança. “A pergunta que passa a nortear o mercado é como as empresas podem se posicionar entre os 30% mais eficientes na gestão de talentos, priorizando precisão nas escolhas e impacto nos resultados”, conclui.

Fonte: Contextual

 

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