O sistema de consórcios fechou o primeiro quadrimestre deste ano registrando resultados expressivos nas vendas de cotas e, consequentemente, nos negócios realizados. A quase totalidade dos indicadores nacionais e setoriais do período anotou performances positivas em relação aos mesmos quatro meses de 2025. A volta ao ritmo normal em abril, após o início do ano com férias e carnaval, reforça o crescimento do consórcio como opção planejada do brasileiro pelo mecanismo, evidenciando confiança e credibilidade.
Segundo levantamentos estimativos feitos pela assessoria econômica da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC), o acumulado de adesões, de janeiro a abril, atingiu 1,87 milhão, 16,1% acima do 1,61 milhão contabilizados no mesmo período do ano passado. Decorrente deste avanço, a comercialização de créditos chegou a R$ 179,41 bilhões, 27,1% maior que os R$ 141,19 bilhões anteriores.
Mais uma vez, o total de consorciados ativos cresceu em relação ao ano passado, novamente bateu recorde e quase cravou 13 milhões. Os 12,94 milhões de consorciados obtidos em abril deste ano ultrapassaram em 11,6% os 11,59 milhões daquele mês há um ano.
Ao chegar a 12,94 milhões de participantes ativos no mês de abril deste ano, registrou 57,6% sobre os 8,21 milhões anotados em janeiro de 2022. Neste período, pouco mais de quatro anos, foram obtidos 51 recordes consecutivos, com exceção de abril de 2023.
Simultaneamente, a somatória de consorciados contemplados, quando os créditos concedidos podem ser transformados em bens e serviços, alcançou 623,70 mil no quadrimestre, 2,6% maior que os 607,81 mil do mesmo período de 2025. Os correspondentes créditos liberados totalizaram R$ 44,37 bilhões, potencialmente injetados na economia, 11,4% acima dos R$ 39,82 bilhões anteriores.
O tíquete médio de abril assinalou R$ 101,66 mil. O avanço foi de 7,4% sobre o do mesmo mês de 2025, quando havia atingido R$ 94,63 mil. O aumento confirma o interesse do brasileiro por cotas de valores maiores, compatíveis com sua renda.
"No primeiro quadrimestre, confirmou-se a normalidade do ritmo dos negócios, apesar da alta da inflação e da influência da desaceleração do segmento de serviços. No cenário consorcial, quase a totalidade dos indicadores do sistema registrou crescimento, o que possibilitou continuidade dos avanços anotados nos últimos anos. Ao considerar principalmente o conhecimento da essência da educação financeira e tendo no planejamento seu fator decisivo para adesão, o crescente número de recentes consorciados vem provocando quebras de recordes, mês após mês", salienta Paulo Roberto Rossi, presidente-executivo da ABAC.
Detalhes dos indicadores
Vendas de cotas
No quadrimestre, o destaque nas vendas foi o total de cotas comercializadas em abril: 494,21 mil, o segundo melhor do ano. Destacam-se os bons desempenhos em imóveis, com 166,56 mil; em veículos pesados, com 16,40 mil; e em serviços, com 6,69 mil, os maiores deste ano.
No acumulado das adesões, 1,87 milhão, a distribuição por setor ficou assim: 658,41 mil de veículos leves; 557,49 mil de imóveis; 505,15 mil de motocicletas; 71,84 mil de eletroeletrônicos; 57,01 mil de veículos pesados e 23,02 mil de serviços.
Percentualmente, nos seis segmentos, cinco registraram alta na somatória das comercializações: eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis, com 51,4%; imóveis, com 48,4%; serviços, com 27,8%; motocicletas, com 7,3%; e veículos leves, com 4,2%. Houve apenas uma retração: veículos pesados, com (-8,8%), contudo, observa-se tendência de melhora neste segmento.
Contemplações
Na retomada das contemplações, o acumulado quadrimestral apontou 2,6% de alta no volume verificado este ano, 623,70 mil consorciados contemplados em 2026, versus os 607,81 mil em 2025.
Setorialmente ficaram assim distribuídos: 267,52 mil em veículos leves; 235,66 mil em motocicletas; 56,36 mil em imóveis; 35,51 mil em veículos pesados; 15,02 mil em serviços; e 13,62 mil em eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis.
Participantes ativos
Os percentuais de consorciados ativos em cada setor estiveram assim divididos: 41,7% nos veículos leves; 25,0% nas motocicletas; 23,2% nos imóveis; 7,0% nos veículos pesados; 2,0% nos eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis; e 1,1% nos serviços.
Em cada segmento no qual o consórcio está presente, dos 12,94 milhões de participantes ativos, o total ficou assim: 5,40 milhões em veículos leves; 3,24 milhões em motocicletas; 3,00 milhões em imóveis; 908,43 mil em veículos pesados; 259,03 mil em eletroeletrônicos e outros bens móveis duráveis; e 132,17 mil em serviços.
A importância dos consórcios na cadeia produtiva
Ao longo dos anos, o consórcio tem sido a opção mais simples e econômica para o consumidor atingir seus objetivos de consumo ou patrimoniais com planejamento a médio e longo prazos. No setor dos veículos leves, de janeiro a abril, a potencial presença foi de um a cada três veículos leves vendidos no país.
Ao participar da programação da produção industrial em diversos segmentos nos quais está presente, no setor de motocicletas, por exemplo, o mecanismo também evoluiu. No primeiro quadrimestre de 2026, as contemplações possibilitaram a potencial aquisição de uma moto a cada três comercializadas no mercado interno.
Entre os veículos pesados, a modalidade sinalizou também um a cada três caminhões negociados para ampliação ou renovação de frotas para o setor de transportes, com destaque especial para utilização no agronegócio.
No resumo dos quatro meses da potencial participação das contemplações do consórcio, foram liberados mais de R$ 33,23 bilhões, somente para os veículos automotores. O consórcio atingiu 32,0% de possível presença no setor de automóveis, utilitários e camionetas. No de motocicletas, houve 30,1% de provável participação, e no de veículos pesados, a relação para caminhões foi de 32,4%, no período.
No segmento imobiliário, no primeiro trimestre deste ano, as contemplações representaram potenciais 26,5% de participação no total de 170,67 mil imóveis financiados, incluindo recursos das cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e dos consórcios, potencialmente um imóvel a cada quatro comercializados.











