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Fundador de startup de educação mapeia o que separa quem cresce de quem estaciona – do preparo à leitura do ambiente
O mercado de trabalho brasileiro fechou 2025 com desemprego de 5,6%, o menor da série histórica do IBGE, e recorde de 103 milhões de pessoas ocupadas. Com mais gente empregada e disputada, a pergunta sobre como subir de cargo voltou ao centro das conversas de carreira. Para Virgilio Marques dos Santos, sócio-fundador da FM2S, startup de educação sediada no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, e PhD pela Unicamp, a promoção é resultado de preparação e método, com critérios que qualquer profissional pode aprender.
O contexto ajuda a explicar a urgência. O Fórum Econômico Mundial projeta que 39% das habilidades exigidas no trabalho se transformem até 2030, o que encurta a validade daquilo que cada um domina hoje. Santos organiza em cinco pontos o que observa em quem cresce de forma consistente.
1. Preparo transforma a sorte em oportunidade aproveitada
A “sorte” que aparece na carreira raramente é aleatória. “A sorte existe, mas é um evento de baixa probabilidade que ninguém controla. O que decide o resultado é o repertório. Quem acumulou base técnica, maturidade comportamental e uma rede de contatos sólida reconhece a oportunidade quando ela aparece e sabe agir. Quem fica isolado na própria rotina raramente cruza com ela”, afirma Santos.
2. O ambiente define o ritmo da progressão
Antes do esforço individual, pesa o lugar onde a pessoa está. “O cenário da empresa dita o ritmo da progressão, e isso costuma ser subestimado. Em uma estrutura estagnada, com baixa rotatividade e hierarquia rígida, a promoção vira exceção, por mais competente que a pessoa seja. Em uma empresa que cresce e promove com recorrência, o mesmo esforço encontra espaço. Ler esse contexto antes de cobrar de si mesmo separa expectativa realista de frustração”, observa o gestor.
3. Marca pessoal resolve a dor de quem decide
Em grandes estruturas, o pensamento analítico é a competência mais requisitada por 7 em cada 10 empresas, segundo o Fórum Econômico Mundial — e é ele que sustenta este critério. “Entregar o combinado é o mínimo esperado. O destaque vem de virar referência em algo específico, seja automação, processos, dados ou gestão de projetos, e de ser o nome lembrado quando surge um problema difícil. O que importa é chegar perto do problema que tira o sono de quem decide e custa caro ao negócio, e entregar uma saída viável. É isso que constrói o capital de uma promoção”, explica Santos.
4. Constância sustenta o crescimento
Nenhum dos critérios anteriores se mantém sem regularidade. “A base de uma carreira sólida é a constância: estudar sempre, se manter atualizado e ter um planejamento de curto prazo, sabendo o que fazer hoje para chegar aonde se quer em alguns meses. É isso que diferencia quem alcança patamares mais altos de quem estaciona no primeiro platô”, pondera o especialista.
5. Nem toda promoção compensa
O último critério é um filtro pessoal. “Nem toda promoção vale a pena. Se ela exige abrir mão de valores fundamentais ou de pilares da vida pessoal, o custo pode ser alto demais. O crescimento que se sustenta respeita as próprias prioridades e a saúde mental. Entender o que faz sentido para você, antes de perseguir qualquer cargo, evita subir a escada errada”.
Por fim, Santos conclui que “a promoção é consequência de quem resolve problemas reais do negócio. Atalhos baseados em mentira ou a postura da reclamação constante cobram caro no longo prazo”.
Sobre Virgilio Marques dos Santos
Virgilio Marques dos Santos é PhD em Engenharia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Master Black Belt em Lean Seis Sigma e sócio-fundador da FM2S Educação e Consultoria, startup sediada no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp. Trabalha há 15 anos com desenvolvimento de carreiras, futuro do trabalho e transformação organizacional. É autor do livro “Partiu Carreira”, TEDx Speaker e palestrante em temas de gestão, inovação e liderança.













