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Crise da performance: quando o trabalho passa a ocupar o lugar da identidade

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Autor do livro “As 4 Chaves do Cristo” e referência em espiritualidade aplicada ao desenvolvimento humano, Saulo Nardelli analisa como a cultura da alta performance tem levado profissionais ao esgotamento emocional e à desconexão de si mesmos.

São Paulo, maio de 2026 – O ambiente corporativo contemporâneo tem exigido dos profissionais uma postura de excelência contínua, na qual produtividade, resultados e performance se tornam os principais indicadores de valor. Nesse cenário, a construção de uma imagem profissional forte muitas vezes se sobrepõe à identidade pessoal, fazendo com que muitos profissionais confundam entrega com valor pessoal, reconhecimento com pertencimento e produtividade com sentido de vida.

A lógica da alta performance já impacta diretamente a relação das pessoas com o trabalho e consigo mesmas, e segundo o relatório State of the Global Workplace, da Gallup, grande parte dos profissionais no mundo relata algum nível de desengajamento no ambiente corporativo. No Brasil, a percepção de sobrecarga também cresce de forma consistente: seis em cada dez trabalhadores afirmam que o volume de trabalho aumentou nos últimos anos, de acordo com levantamento da consultoria Robert Half.

Por trás desse cenário, há um processo silencioso de desconexão entre aquilo que o profissional faz e aquilo que ele reconhece como sua própria verdade.. Muitos profissionais se tornam altamente capacitados para sustentar uma imagem de eficiência e controle, mas encontram dificuldade para reconhecer quem são fora das exigências do trabalho.

Para Nardelli, o problema não está na busca por excelência, mas na transformação da performance em identidade. “O verdadeiro esgotamento profissional não nasce apenas das demandas externas, mas do esforço contínuo de sustentar uma máscara de excelência. As pessoas estão cansadas de si mesmas porque sustentam uma persona, um papel, uma aparência. Quando a identidade passa a depender exclusivamente da validação profissional, a pessoa perde a conexão com aquilo que ela é para além da função que ocupa”,”, afirma Saulo Nardelli.

A pressão permanente por resultados costuma produzir impactos que ultrapassam o campo emocional e alcançam também a saúde física. Cansaço extremo, dificuldade de descanso, ansiedade, ganho de peso e uso recorrente de medicações para sustentar a rotina   são alguns dos sinais associados ao esgotamento crônico provocado pela lógica da performance contínua.

Segundo Nardelli, o colapso vivido por muitos profissionais não está necessariamente ligado à perda do cargo ou da estabilidade financeira, mas à ruptura da narrativa construída em torno da própria identidade. “Quando o trabalho se torna o único lugar de reconhecimento e pertencimento, qualquer crise profissional passa a ser percebida como uma crise existencial. O que entra em colapso não é apenas a carreira, mas a história que o ego criou sobre quem somos”, explica.

Essa crise também desafia a forma como empresas estruturam suas lideranças. Para Nardelli, uma liderança consciente não se sustenta apenas pela cobrança de resultados, mas pela capacidade de criar um ambiente em que as pessoas possam agir com clareza, responsabilidade e sentido. “O papel do líder é servir. É deixar o campo pronto para que o time entre em campo e execute o seu serviço. Não existe nada mais que o líder precise fazer do que conduzir pessoas a encontrar os seus próprios propósitos”, afirma.

“Diante desse contexto, cresce também a busca por modelos de vida e trabalho mais alinhados ao equilíbrio emocional, ao autoconhecimento e ao propósito pessoal. A discussão sobre saúde mental no ambiente corporativo deixa de estar restrita à produtividade e passa a incluir temas como presença, consciência, limites e qualidade das relações humanas”, acrescenta.

Essas reflexões estão presentes no livro “As 4 Chaves do Cristo”, escrito por Saulo Nardelli e com lançamento previsto para junho de 2026 pela Editora Gente, atualmente em fase de pré-venda. A obra propõe um caminho de ativação interior voltado à reconexão do indivíduo consigo mesmo, defendendo uma relação menos baseada em validação externa e mais sustentada por consciência e presença.

Ao longo dos capítulos, o autor apresenta reflexões sobre identidade, corpo, propósito e espiritualidade aplicada ao cotidiano, propondo uma mudança de perspectiva na relação com o trabalho e com a própria trajetória pessoal. Nesse sentido, o livro não propõe uma fuga da vida profissional, mas uma revisão da forma como o indivíduo se relaciona com sua ação no mundo. “A ação profissional deixa de ser um mecanismo de afirmação do ego e passa a ser expressão de serviço, consciência e coerência interior. Quando isso acontece, o indivíduo deixa de depender da performance para sustentar o próprio valor”, conclui Nardelli.

Sobre Saulo Nardelli

Saulo Nardelli é autor e fundador da Sangha Platina Solaris e da The Golden Walk Foundation, iniciativas voltadas à integração entre consciência, bem-estar emocional e impacto social. Sua atuação reúne espiritualidade aplicada, desenvolvimento humano e reflexão sobre identidade na vida contemporânea. Desde 2017, seus programas e ações comunitárias já impactaram mais de 160 mil pessoas no Brasil e no exterior por meio de práticas de bem-estar, apoio emocional e projetos voluntários. Em 2023, passou a integrar o Board Consultivo em Cura Social da Cátedra UNESCO de Sustentabilidade (UNESCO-SOST), vinculada à Universitat Politècnica de Catalunya. Em 2026, lança pela Editora Gente o livro “As 4 Chaves do Cristo”, obra que propõe uma travessia de reconexão com a Presença, abordando identidade, corpo, consciência e o desafio de encontrar sentido em uma sociedade marcada por pressão, desempenho e excesso de validação externa.

Foto: Pexels

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