Ao final de cada ano, realizamos o planejamento das atividades para o ano seguinte e, com 2026 se aproximando, não poderia ser diferente. Analisando as principais tendências em recursos humanos que ganharão destaque em 2026, ressalto que a cultura organizacional praticada pelas empresas será um dos temas mais recorrentes. Não bastará mais exibir, na recepção, a missão, a visão e os valores que norteiam os negócios.
O ano que vem será o verdadeiro divisor de águas para a área de recursos humanos: as empresas precisarão efetivamente viver o que anunciam em suas paredes. Ou seja, o plano estratégico de RH deverá sair do papel e ecoar por toda a organização.
É importante reiterar que missão, visão e valores permanecem fundamentais — não proponho uma ruptura desses pilares. Contudo, o ano que se avizinha será o ano da verdade: se a empresa deseja transformar sua área de recursos humanos, precisará incorporar na prática aquilo que prega.
A transparência digital e a exigência de coerência pautarão o novo cenário. Por isso, o planejamento estratégico de RH deve deixar de ser apenas um quadro na parede e se tornar parte do cotidiano da empresa.
A cultura organizacional deixará de ser um conceito abstrato do RH para assumir o papel de coluna vertebral da estratégia de negócios. Empresas que apenas simulam ter uma cultura consolidada enfrentarão alto turnover e perda de reputação; já aquelas que vivenciam de fato os valores estampados conquistarão espaço e destaque no mercado. É o momento adequado para deixar o “teatro corporativo” e a cultura tóxica de lado.
Para que essa transformação ocorra, é imprescindível investir na capacitação dos líderes, preparando-os para refletir a cultura organizacional diariamente. Atitudes incoerentes minam iniciativas de inclusão e prejudicam o ambiente corporativo. Recomendo dois treinamentos essenciais: Comunicação Transparente — focado em diálogo aberto, feedbacks construtivos e alinhamento de expectativas entre líderes e equipes — e Gestão de Diversidade e Inclusão, que promove um ambiente acolhedor, o respeito às diferenças e a garantia de pertencimento de todos os colaboradores. Ambos os treinamentos capacitam os líderes a agirem com transparência e coerência, fortalecendo a cultura organizacional e o engajamento dos times, pois os líderes não devem ser vistos como monitores de tarefa e sim como embaixadores da cultura.
O sentimento de pertencimento potencializa a conexão do colaborador com a empresa, tornando-se o verdadeiro motor da produtividade em 2026. Quando rituais e políticas claras refletem valores genuínos, o engajamento deixa de ser apenas uma meta no papel e passa a impulsionar resultados concretos no dia a dia.
A reputação da marca será decisiva para atrair talentos qualificados, pois os candidatos buscarão empresas alinhadas com seus próprios valores. Uma cultura organizacional autêntica e ética será o diferencial competitivo fundamental, refletindo credibilidade e responsabilidade social.
Para garantir coerência, recomendo a realização de auditorias culturais periódicas, envolvendo líderes e colaboradores. Essa prática identifica desalinhamentos e fortalece a vivência dos valores, consolidando uma imagem positiva e sustentável no mercado de trabalho.
A cultura organizacional exige vivência diária, não discursos vazios. Cabe ao RH liderar esse processo, pois a cultura da empresa não será mais definida pelo que ela diz ser, mas sim pelo que os colaboradores sentem e percebem nas ações cotidianas.
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