Por Ronald Dener*
A pressão por transformação digital tem levado empresas de diferentes setores a acelerar o desenvolvimento de soluções tecnológicas e produtos digitais. Nesse cenário, muitas organizações ainda acreditam que montar equipes internas é a alternativa mais segura para manter controle sobre processos e conhecimento estratégico. No entanto, estudos recentes indicam que estruturar um time próprio pode, em diversos casos, representar riscos maiores do que recorrer à terceirização, especialmente quando se consideram fatores como custo, escassez de talentos e velocidade de execução.
Um dos principais desafios está relacionado ao custo total de formar e manter equipes internas especializadas. No mercado de tecnologia, o salário anual de desenvolvedores pode variar entre US$90 mil e US$160 mil em países como Estados Unidos e Canadá, sem considerar benefícios, encargos e custos de infraestrutura, que podem acrescentar cerca de 25% a 30% ao valor final da contratação. Ademais, o processo de recrutamento também representa um investimento significativo, com custos que podem variar entre US$4 mil e US$7 mil por profissional contratado, segundo levantamento da consultoria Ptolemay sobre custos de equipes internas de tecnologia. Quando se considera treinamento, ferramentas e retenção de talentos, o custo total de operação de equipes internas pode crescer rapidamente, tornando o modelo mais oneroso do que inicialmente previsto.
Com isso, a terceirização tem se consolidado como uma estratégia eficiente para otimizar operações. De acordo com um levantamento da Zipdo sobre outsourcing de tecnologia, empresas conseguem reduzir entre 30% e 50% dos custos operacionais ao trabalhar com equipes externas especializadas. Esse ganho ocorre porque fornecedores já possuem infraestrutura, processos e profissionais qualificados, eliminando parte dos investimentos iniciais necessários para estruturar uma equipe interna.
Outro fator relevante é a escassez global de talentos em tecnologia. Um estudo da plataforma WiFiTalents aponta que cerca de 45% das empresas recorrem à terceirização para acessar competências técnicas que não conseguem encontrar internamente, enquanto 57% utilizam esse modelo para manter o foco em suas atividades principais.
A questão da escala também pesa nessa decisão. Projetos digitais raramente mantêm o mesmo ritmo ao longo de todo o ciclo de desenvolvimento. Em determinados momentos, a demanda por profissionais aumenta rapidamente, enquanto em outras fases ela diminui. Estruturas internas rígidas podem gerar tanto gargalos operacionais quanto equipes ociosas. Já modelos baseados em squads terceirizados permitem ampliar ou reduzir equipes de acordo com a necessidade do projeto, oferecendo maior flexibilidade.
A velocidade de execução também costuma ser superior quando empresas trabalham com parceiros especializados. Pesquisas divulgadas pela SQ Magazine sobre desenvolvimento de software indicam que projetos conduzidos por equipes terceirizadas podem chegar ao mercado até 25% mais rápido do que aqueles conduzidos exclusivamente por equipes internas, justamente porque fornecedores já operam com metodologias consolidadas e times multidisciplinares preparados para iniciar projetos rapidamente.
Por outro lado, iniciativas totalmente internas frequentemente enfrentam desafios de gestão, previsibilidade e controle de escopo. Um levantamento publicado pelo portal ITPro aponta que 71% dos projetos de tecnologia desenvolvidos exclusivamente por equipes internas não conseguem cumprir prazos ou orçamentos planejados, enquanto apenas 8% são entregues dentro do cronograma inicial. O custo de manutenção e evolução de sistemas desenvolvidos internamente pode variar entre US$20 mil e US$100 mil por ano, dependendo da complexidade das soluções.
Diante disso, cresce no mercado o movimento de empresas que optam por trabalhar com squads terceirizados, integrando equipes completas e multidisciplinares para desenvolver e evoluir produtos digitais sem precisar remanejar profissionais internos ou criar estruturas complexas do zero. Esse modelo permite acessar especialistas em desenvolvimento, design, arquitetura e gestão de produto de forma mais ágil e previsível.
Por fim, é fato que o avanço dessa estratégia acompanha o crescimento do próprio mercado de terceirização de tecnologia. A escolha entre equipes internas e terceirização passou a ser uma questão estratégica. Portanto, insistir exclusivamente na construção de times internos pode significar atrasar projetos, aumentar custos e reduzir a capacidade de adaptação das organizações. Por outro lado, a combinação entre equipes internas e parceiros especializados tem se consolidado como um modelo capaz de ampliar a capacidade de execução das empresas, permitindo que elas inovem com mais velocidade, eficiência e previsibilidade.
*Engenheiro da computação pelo Centro de Informática da UFPE (CIn/UFPE), Ronald Dener é CEO e cofundador da Capyba Software. Com mais de 10 anos de atuação no mercado de tecnologia, lidera a estratégia de crescimento, internacionalização e posicionamento da empresa, conectando engenharia, design e inteligência artificial à geração de impacto real para negócios. Possui formação executiva pela Fundação Dom Cabral e pela Nova School of Business and Economics, com foco em inovação, estratégia e expansão global
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