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Mesmo com 91% dos CHROs priorizando IA, o maior desafio das empresas continua sendo humano

Mesmo com a inteligência artificial no centro das estratégias corporativas, especialistas apontam que cultura, liderança e gestão da mudança ainda são os principais fatores para o sucesso das iniciativas

Especialistas apontam que o sucesso da inteligência artificial nas empresas depende menos da tecnologia e mais da capacidade das organizações de preparar pessoas, lideranças e processos para a transformação.

A inteligência artificial já ocupa espaço nas estratégias de empresas de todos os portes, mas transformar interesse em resultados concretos continua sendo um desafio. Dados do relatório State of AI in HR 2026, da SHRM (Society for Human Resource Management), mostram que 91% dos CHROs consideram a IA uma prioridade para suas organizações. Apesar disso, apenas 39% afirmam já utilizar algum tipo de ferramenta dentro do próprio RH. O principal obstáculo, segundo 67% dos entrevistados, não é orçamento nem tecnologia, é a falta de entendimento sobre o que a IA realmente pode fazer.

O cenário revela uma situação que tem se repetido em empresas de diferentes setores. Enquanto CEOs e conselhos colocam a inteligência artificial entre as prioridades do negócio, e colaboradores já começam a incorporar ferramentas em suas rotinas de forma espontânea, muitos projetos ainda encontram dificuldade para sair do papel ou gerar os resultados esperados.

Para Zeh Negri, diretor de estratégia e educação na Performa_IT — empresa com atuação em transformação digital, inteligência artificial, dados e produto —, a principal dificuldade é que muitas organizações ainda tratam a IA como uma questão exclusivamente tecnológica.

“Projetos de IA não são resumidamente projetos de tecnologia. São projetos de transformação organizacional com tecnologia no meio. Quando a empresa enxerga a IA apenas como a contratação de uma ferramenta, ela ignora fatores que são decisivos para gerar resultados, como cultura, liderança, comportamento e gestão da mudança.”

Zeh Negri, diretor de estratégia e educação da Performa_IT

Essa percepção também aparece em estudos sobre implementação de IA. A regra 10/20/70, da Boston Consulting Group (BCG), aponta a seguinte distribuição para o sucesso de uma iniciativa:

  • 10% depende dos algoritmos utilizados.

  • 20% depende da tecnologia e dos dados.

  • 70% está ligado a pessoas, processos e gestão da mudança.

Na prática, isso ajuda a explicar por que empresas que investem em plataformas avançadas nem sempre conseguem obter os resultados esperados. Muitas organizações dedicam tempo e recursos à escolha da ferramenta, mas deixam em segundo plano a preparação das lideranças, a adaptação dos processos e o desenvolvimento das equipes.

O desafio não está na ferramenta

A percepção de que a tecnologia é o principal obstáculo ainda é comum nas empresas, mas nem sempre corresponde à realidade. Segundo Negri, a experiência em projetos de capacitação e transformação digital mostra que as maiores barreiras costumam estar relacionadas à cultura organizacional:

“O que mais tem barrado o uso de IA nas empresas é a cultura. Não é a licença do Copilot, do Gemini ou do ChatGPT. Se as pessoas não estiverem preparadas para aprender, experimentar, errar e incorporar novas formas de trabalho, a tecnologia não gera transformação.”

Na avaliação de Jordana Albuquerque, CHRO da Rodonaves, esse cenário acontece porque muitas empresas ainda acreditam que a adoção ocorrerá naturally após a contratação da tecnologia.

“O maior obstáculo raramente é a tecnologia. Normalmente, está na gestão da mudança. As empresas compram ferramentas esperando que o uso aconteça naturalmente, mas esquecem que a adoção depende de cultura, liderança e capacitação. As pessoas precisam entender por que aquela tecnologia foi implementada, como ela facilita o trabalho e qual valor gera para elas e para o negócio. Sem esse contexto, a IA vira apenas mais um sistema disponível, mas pouco utilizado.”

Jordana Albuquerque, CHRO da Rodonaves

O executivo afirma que esse desafio aparece inclusive entre gestores e executivos. Em muitos casos, lideranças já utilizam ferramentas de inteligência artificial em atividades do dia a dia, mas evitam compartilhar essa prática abertamente dentro das organizações.

Esse comportamento cria uma contradição: ao mesmo tempo em que as empresas incentivam a inovação, muitos profissionais ainda associam a IA ao risco de substituição ou à perda de relevância. Como consequência, a adoção acontece de forma informal, sem um direcionamento estratégico e sem que os aprendizados sejam compartilhados.

RH assume o papel central

Embora a inteligência artificial ainda seja frequentemente associada às áreas de tecnologia, a experiência de empresas que estão avançando nesse processo mostra que o RH vem ganhando protagonismo.

Na Performa_IT, por exemplo, a maior parte das demandas por programas de capacitação em inteligência artificial tem partido justamente da área de recursos humanos. Isso acontece porque o RH está na linha de frente de um desafio que vai além da tecnologia: preparar pessoas e lideranças para uma nova forma de trabalhar.

O protagonismo do RH reflete uma mudança no próprio debate sobre inteligência artificial. Mais do que discutir ferramentas, as empresas passaram a enfrentar desafios relacionados à capacitação, liderança e gestão da mudança.

Para Ana Tomazelli, CHRO e consultora com experiência em mais de 35 empresas nacionais e multinacionais com atuação em processos de transformação organizacional e M&A, um dos principais equívocos das empresas é acreditar que a transformação começa pela tecnologia.

“O que vejo nas empresas é uma confusão entre digitalizar e transformar. Transformação real implica escolhas: do que vamos abrir mão? Que funções vão ser redesenhadas? Que capacitações são necessárias para quem fica? A gestão da mudança não começa com a instalação do software, começa com uma conversa honesta sobre prioridades, com tempo, dinheiro e energia alocados de forma coerente com o discurso.”

Ana Tomazelli, CHRO e consultora

Transformação não acontece de uma vez só

Outro erro comum é tentar implementar grandes projetos de IA de uma só vez. Na prática, os melhores resultados costumam surgir a partir de experimentos menores, realizados em equipes, áreas ou processos específicos antes da expansão para toda a organização.

Essa abordagem permite testar aplicações, identificar ganhos, corrigir rotas e reduzir resistências antes de ampliar a iniciativa para outras áreas da empresa.

“Antes de instalar qualquer ferramenta de inteligência artificial, antes de fazer qualquer projeto de transformação, a empresa precisa ser capaz de descrever o que acontece ali dentro sem usar Excel, sem usar PowerPoint, sem usar IA nenhuma. Se as pessoas sabem o que fazer, o que olhar e o que entregar, aí sim a tecnologia pode potencializar. Se não sabem, você está automatizando o caos”, afirma Ana Tomazelli.

Mais do que produtividade

Embora a inteligência artificial seja frequentemente associada ao aumento da produtividade, seu impacto vai além da automação de tarefas. A tecnologia também pode liberar tempo para atividades estratégicas e para o desenvolvimento das equipes.

Para Ana Tomazelli, a expansão da IA nas empresas tende a valorizar competências essencialmente humanas, especialmente aquelas ligadas à interpretação de contextos e à tomada de decisão:

“A inteligência artificial sabe mais do que qualquer especialista no sentido da literatura, ela tem muitos especialistas juntos, todas as bibliotecas, todos os bancos de dados. Mas não sabe o histórico relacional daquela equipe, o que aquele cliente realmente precisava, mas não verbalizou. O julgamento contextual, a capacidade de leitura de cenários complexos e ambíguos e a competência de traduzir dados em decisão dentro de um contexto específico são habilidades que não se automatizam.”

Para Jordana Albuquerque, à medida que a inteligência artificial evolui, o diferencial competitivo das organizações dependerá cada vez mais da capacidade de desenvolver pessoas preparadas para atuar em conjunto com a tecnologia.

“Acredito que a inteligência artificial não substituirá o potencial humano. Ela substituirá a forma como trabalhamos. As empresas que terão sucesso não serão necessariamente as que possuem a tecnologia mais avançada, mas aquelas que conseguirem desenvolver pessoas preparadas para trabalhar em parceria com ela. No fim, a vantagem competitiva continuará sendo humana: aprender mais rápido, adaptar-se melhor e liderar com propósito.”

Sobre a Performa_IT

A Performa_IT é uma empresa de tecnologia e inovação que atua como parceira estratégica na construção do futuro dos negócios, impulsionando processos de transformação digital por meio do desenvolvimento de soluções com inteligência artificial, engenharia e metodologias próprias para resolver desafios reais do mercado.

Fundada por Léo Tristão, André Paganuchi e Samir Karam, a empresa iniciou sua trajetória com foco em desenvolvimento de software e, ao longo de sua evolução, consolidou-se como uma empresa de desenvolvimento de soluções digitais, integrando estratégia, design, lean e tecnologia em projetos voltados à geração de resultado e eficiência operacional.

Com presença no Brasil e atuação internacional a partir de Lisboa, a Performa_IT atende empresas nacionais e multinacionais, desenvolvendo iniciativas que equilibram visão de longo prazo e entregas concretas no presente. Entre seus projetos e parcerias estão iniciativas realizadas com organizações como HP / Hewlett Packard Enterprise, Farmácias Pague Menos, BIC e ZEISS Group, além da parceria institucional com a CBN Campinas por meio do podcast “Performa Q. Pod.”. A empresa mantém como diretriz colocar a inteligência artificial no centro das soluções e as pessoas no centro da transformação.

 Agência ERA®

Foto: Divulgação

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