Contratar profissionais com diferentes perfis resulta em diversos pontos positivos para as empresas
As maiores empresas do país já entendem a necessidade de possuir um quadro de colaboradores diverso. De acordo com uma pesquisa publicada pela B3 em agosto de 2026, 83% das companhias listadas na bolsa de valores brasileira possuem pelo menos uma pessoa de um grupo sub-representado em seu conselho de administração ou diretoria estatutária.
Isso significa que mulheres, pessoas pretas, pardas ou indígenas, integrantes da comunidade LGBTQIA+ e pessoas com deficiência têm ganhado mais espaço e oportunidade de tomar decisões em grandes e médias empresas. Além da necessidade de promover igualdade, reparações históricas e criar ambientes justos, essa mudança ocorre também porque identificou-se que esses profissionais proporcionam uma série de benefícios às companhias, promovendo seu crescimento e desenvolvimento.
“A diversidade amplia o olhar de uma organização. Cada pessoa é um repositório de histórias, experiências, formações e perspectivas, e é a partir desse conjunto que construímos pensamentos e contribuições. Assim, a diversidade aumenta o repertório do time e ajuda a compreender problemas e encontrar soluções”, defende Helena Castro, coordenadora de Pessoas e Cultura da Refuturiza, plataforma de recrutamento e soluções para RHs.
A coordenadora ainda lista outras frentes em que a diversidade proporciona uma vantagem competitiva e resume seus pontos positivos. “Quando uma organização reúne diferentes perspectivas, ela aumenta sua capacidade de compreender e dialogar com o maior número de pessoas. Isso influencia desde a criação de produtos até a experiência do cliente, passando pela comunicação e pela tomada de decisões estratégicas”, afirma.
No entanto, Helena esclarece que é preciso saber como construir um time diverso e criar uma cultura realmente inclusiva, para que o discurso não fique apenas no papel ou se transforme em mero verniz.
Benefícios da diversidade
Um estudo da McKinsey & Company aponta que empresas com diversidade étnica e cultural possuem 33% mais chances de apresentar lucros acima da média. A explicação, segundo a coordenadora da Refuturiza, está na mudança de visão: “possuir colaboradores com diferentes perfis significa receber contribuições que permitem decisões mais completas, maior capacidade de inovação, melhor compreensão de diferentes públicos, mais criatividade na resolução de problemas e maior capacidade de adaptação”, sintetiza.
Helena argumenta que um time com múltiplos perfis pode ser capaz de perceber uma necessidade que ninguém havia identificado, questionar uma premissa considerada óbvia e trazer experiências vividas em contextos diferentes, o que abre portas para a inovação, um dos principais pontos positivos da diversidade para as companhias.
“Pessoas com experiências diferentes enxergam um mesmo problema por vieses distintos. Assim, vão questionar o cenário por abordagens diversas, chegando a conclusões que um grupo homogêneo não alcançaria”, define.
Por fim, ela explica que as empresas integram a sociedade e, por isso, devem representá-la. “Mais do que uma obrigação, a contratação de pessoas com perfis distintos é uma maneira de se alinhar à realidade do país e aos clientes, além de criar o ambiente necessário para atrair talentos, fortalecer a marca empregadora e responder a um mundo cada vez mais rápido”, defende.
Uma cultura inclusiva
Helena ressalta que é preciso desenvolver no time a capacidade de lidar com a diferença. Do contrário, a diversidade pode tornar-se apenas uma estratégia de aparências, sem uma real cultura inclusiva, o que pode gerar conflitos.
“É preciso derrubar barreiras. Algumas são mais visíveis, como vieses nos processos de recrutamento e seleção e falta de representatividade em posições de liderança. Outras são mais sutis e, por isso mesmo, mais perigosas e difíceis de identificar”, detalha.
Segundo ela, contratar pessoas com perfis distintos é o primeiro passo, mas não resolve o problema dentro de uma empresa. “As pessoas precisam se sentir aceitas e acolhidas para serem quem são e exercitarem suas diferenças. Somente assim, a companhia colherá todos os benefícios do time diverso”, resume.
Dentre os sinais de que existe falta de acolhimento, a coordenadora da Refuturiza cita a concordância em excesso. “É preciso criar um ambiente em que todos possam discordar com respeito e não tenham medo de expor suas opiniões para que possamos aprender com as diferenças”, afirma.
Ao mesmo tempo, ela também lembra que os diferentes perfis podem gerar atritos, conflitos e questionamentos, em ambientes pouco preparados ou onde as ações permanentes não são implantadas. No entanto, “se bem conduzidos, esses supostos desconfortos são muito importantes para o enriquecimento do time e contribuem para que possamos agregar opiniões, referências e formas de pensar”.
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