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Erro de dose em criança ainda preocupa médicos de plantão

Erro de dose em criança ainda preocupa médicos de plantão

A prescrição para crianças é um dos pontos mais sensíveis do plantão de urgência e emergência. Diferentemente do atendimento de adultos, em que boa parte das condutas segue doses padronizadas, na pediatria cada prescrição depende de peso, idade e apresentação disponível. Isso acrescenta etapas de cálculo justamente em um ambiente marcado por pressão de tempo, interrupções e fadiga.

A literatura aponta esse risco há mais de duas décadas. Estudo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) em 2001, conduzido por Kaushal e colaboradores em hospitais pediátricos dos Estados Unidos, analisou mais de 10 mil prescrições e identificou erros de medicação em 5,7% delas. A taxa de eventos adversos potenciais foi maior do que a observada em estudos semelhantes com adultos, e os erros de dose estiveram entre os mais frequentes.

No Brasil, o Instituto para Práticas Seguras no Uso de Medicamentos (ISMP Brasil) destaca, em boletim dedicado à pediatria, que a dose de um mesmo medicamento para um adolescente pode ser até 100 vezes maior que a indicada para um recém-nascido. A entidade também alerta para erros de dez vezes causados por detalhes de notação, como o uso de zero à direita após a vírgula.

A realidade do plantão misto

Para Gustavo Vitória Gomes, médico, CEO e fundador da CalcMed, empresa de soluções digitais para médicos de urgência e emergência, o tema ganha peso porque a pediatria não fica restrita aos serviços especializados. "Muitos colegas atendem adultos e crianças no mesmo plantão, muitas vezes sem pediatra ou farmacêutico clínico por perto. O médico resolve, mas carrega sozinho uma carga de checagem que, em outros cenários, seria dividida com a equipe", afirma.

Segundo ele, a alternância entre os dois perfis de paciente ao longo da noite exige uma troca constante de raciocínio. "O plantonista sai de uma prescrição de adulto, em que a dose é praticamente automática, e no leito ao lado precisa recalcular tudo para uma criança. Somada à privação de sono, essa troca é um terreno fértil para o erro", observa.

O erro raramente é falta de conhecimento

Gustavo ressalta que discutir erro de dose não significa questionar a competência do médico. "O erro de dose quase nunca acontece porque o médico não sabe. Acontece porque ele está fazendo a quinta conta da noite, interrompido, com o paciente piorando", diz. Para o médico, tratar o problema como falha de sistema, e não como falha individual, é o que permite preveni-lo.

Entre os fatores que mais contribuem para esses erros, ele cita o cálculo feito de cabeça sob pressão, prescrições copiadas de atendimentos anteriores, a diversidade de apresentações de um mesmo medicamento entre serviços e a comunicação incompleta entre quem prescreve, quem prepara e quem administra.

O que torna o plantão mais seguro

De acordo com Gustavo, algumas práticas simples, quando incorporadas à rotina, reduzem de forma consistente o risco na prescrição pediátrica: confirmar e registrar o peso da criança de forma visível, padronizar a notação com zero à esquerda e nunca à direita, aplicar dupla checagem em medicamentos de alta vigilância, confirmar a dose em voz alta com a equipe de enfermagem e evitar cálculos mentais em situações críticas.

"Nenhuma dessas medidas é sofisticada. O desafio é mantê-las de pé às quatro da manhã, quando o pronto-socorro está cheio. Por isso elas precisam estar embutidas no fluxo de trabalho, e não depender apenas da memória do plantonista", afirma.

Tecnologia para tirar a conta da cabeça do médico

Entre as soluções digitais voltadas à prática clínica está a CalcMed, plataforma brasileira que reúne calculadoras médicas, orientações de diluição de medicamentos e protocolos para atendimentos de urgência e emergência em adultos e crianças. A ferramenta contempla recursos de apoio à prescrição pediátrica, incluindo cálculos de doses baseados no peso do paciente.

"A decisão continua sendo do médico. O papel da tecnologia é tirar do plantonista uma tarefa aritmética repetitiva e devolver atenção para o que importa: avaliar o paciente e decidir a conduta", conclui Gomes.

Para saber mais sobre a CalcMed, basta acessar: https://calcmed.com.br

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