A educação digital deixou de ser tendência para se tornar uma demanda estratégica nas empresas. Mas mesmo com o avanço das plataformas e da tecnologia, ainda vemos muitos erros básicos sendo cometidos na hora de criar conteúdos de aprendizagem para o ambiente digital. São falhas que comprometem o engajamento dos colaboradores, reduzem a efetividade dos treinamentos e, no fim das contas, afastam a área de treinamento dos objetivos de negócio.
A seguir, compartilho os erros mais recorrentes que identificamos e como evitá-los com soluções práticas:
1. Falta de engajamento do público
Um dos principais desafios das empresas é fazer com que os colaboradores realmente queiram participar dos treinamentos. Muitas vezes, os conteúdos são longos, genéricos ou mal contextualizados.
Como evitar: comece pelo colaborador. Use narrativas que façam sentido no dia a dia dele, invista em microlearning, gamificação e recursos visuais dinâmicos. E principalmente: mostre logo no início do conteúdo o “porquê” e o “pra quê” daquele treinamento. Sem propósito, não há engajamento.
2. Ausência de adesão da liderança
Sem o apoio visível dos gestores, o aprendizado perde prioridade e vira apenas uma tarefa a ser cumprida.
Como evitar: envolva a liderança desde o início, desde o diagnóstico até o lançamento dos treinamentos. Mostre como o conteúdo pode impactar os indicadores do time e ofereça dados sobre o progresso. Quando o líder valoriza a aprendizagem, o time segue o exemplo.
3. Linguagem inadequada ao público-alvo
O erro aqui é criar um conteúdo com “cara de manual técnico” ou, ao contrário, informal demais para públicos que exigem mais sobriedade.
Como evitar: adapte à linguagem ao perfil da sua audiência. Se o público for operacional, vá direto ao ponto com exemplos práticos. Se for estratégico, conecte os temas à tomada de decisão e tendências do setor. Personalização é o caminho.
4. PowerPoint mal adaptado para o digital
A tentação de transformar uma apresentação em um curso é grande. Mas o que funciona em uma reunião não funciona necessariamente em uma plataforma de aprendizagem.
Como evitar: fuja do “Ctrl+C, Ctrl+V” de slides. Reestruture o conteúdo com foco em narrativa, interatividade e fluidez visual. Aposte em storytelling para dar ritmo e contexto à jornada do aprendizado. Recursos como vídeos curtos, quizzes, simulações e trilhas gamificadas tornam a experiência mais dinâmica e eficiente. O digital exige uma nova lógica de construção — mais narrativa, menos leitura passiva.
5. Baixa didática no conteúdo
Outro erro comum é subestimar o papel da didática em ambientes digitais. Às vezes, o conteúdo até é bonito, mas não ensina nada.
Como evitar: conte com especialistas em design instrucional. Eles garantem que o conteúdo siga uma progressão lógica, conecte teoria à prática e promova retenção do conhecimento.
6. Falta de alinhamento com a estratégia do negócio
Treinamentos que não dialogam com os desafios reais da empresa rapidamente se tornam obsoletos ou irrelevantes.
Como evitar: a área de treinamento precisa atuar de forma consultiva, entendendo os objetivos estratégicos e ajudando a impulsioná-los por meio da aprendizagem. Todo conteúdo precisa responder à pergunta: “como isso ajuda minha empresa a crescer”?
7. Interatividade insuficiente
Treinamentos passivos — em que o colaborador só assiste ou lê — têm menos retenção e menor adesão.
Como evitar: use recursos como quizzes, simulações de decisão, vídeos interativos e realidade aumentada. O participante precisa se sentir parte do processo, não apenas um espectador.
Tenho visto que empresas que acertam nesses pontos conseguem resultados concretos: mais engajamento, mais aprendizado aplicado e maior impacto nos indicadores de negócio. A educação digital é uma ponte entre o agora e o futuro — desde que seja feita com estratégia, método e foco no usuário.
*Luiz Alexandre Castanha, administrador de empresas com especialização em gestão de conhecimento e storytelling aplicado à educação, coautor do livro “Olhares para os Sistemas” e é CEO da NextGen Learning. Mais informações no site.
-

Como Evitar Ser um Gargalo na Sua Equipe
Por Falando de Gestão Na dinâmica empresarial atual, a habilidade de liderar efetivamente uma equipe é mais crucial do que nunca. No entanto, muitos líderes inadvertidamente se tornam gargalos, centralizando decisões e tarefas, o que acaba por limitar o crescimento dos membros da equipe e reduzir a eficiência operacional. Se você se vê constantemente sobrecarregado -

A Escala 5×2 é a Nova Produtividade: Por Que o Descanso Não é Prejuízo
O Brasil está em um momento muito importante em relação às mudanças nas leis trabalhistas. Sabemos por realização de pesquisa que as taxas de burnout e doenças mentais relacionadas ao trabalho estão muito altas, a rigidez da jornada de 44 horas semanais, que frequentemente exige a escala 6×1, é um dos principais fatores que contribuem para isso.Na realidade, se considerarmos que nos grandes centros urbanos os trabalhadores levam até duas horas para ir ao trabalho e igual tempo de deslocamento para a volta para casa, estamos na realidade considerando que o trabalhador gaste metade de horas do seu dia na jornada laboral.
-

Adeus ao Cargo, Olá à Habilidade: Por que o Futuro do Trabalho é Fluido e Focado em Competências
No cenário atual de inovação e transformação digital, como as empresas gerenciam seus talentos está passando por uma reformulação significativa. O conceito de Skills-Based Organization (SBO) — ou Organização Baseada em Habilidades — emerge como uma resposta poderosa a essas mudanças, oferecendo um modelo que prioriza habilidades ao invés de títulos de cargos. Essa abordagem não só revoluciona a gestão de recursos humanos, mas também promete otimizar a produtividade e a inovação dentro das empresas. -

Tendências sobre o cenário do trabalho no Brasil: O que esperar e o que pode ser feito
Sempre gosto de analisar pesquisas, pois elas são o termômetro do que acontece em um determinado ambiente. A pesquisa “Pilares de Engajamento do Trabalhador”, realizada pela Pluxee em parceria com a Ipsos, uma das principais empresas de pesquisa de mercado do mundo, ouviu mais de mil trabalhadores brasileiros e destacou importantes tendências sobre o cenário -

Bem-estar no trabalho regride mesmo com avanços na transformação digital
Por Helyn Thami O mundo do trabalho está mudando disruptivamente, mas talvez não pelas razões que muitos assumem. O debate é frequentemente enquadrado como um confronto entre trabalho presencial e remoto, ou como uma marcha inevitável da inteligência artificial que automatizará tarefas enfadonhas e liberará toda a criatividade humana. Ambas são meias verdades. A disrupção








