Orgulho de ser Administrador

Adm. Idalberto Chiavenato

Adm. Idalberto Chiavenato Divulgação/CRA-SP

Por *Adm. Idalberto Chiavenato

Pesquisa recente do Conselho Regional de Administração de São Paulo – CRA-SP revelou um aspecto muito especial em nossa comunidade: o orgulho de ser Administrador. Boa parte dos profissionais pesquisados indicou enfaticamente o orgulho da sua profissão, uma revelação que não deixou a menor dúvida de que um dos maiores retornos que a nossa profissão produz é o elevado senso de dever e de coparticipar ativamente do sucesso e do progresso de nossas instituições.

De fato, a Administração eleva a autoestima e o orgulho dos seus profissionais. Nosso saudoso guru Peter Drucker já dizia que não existem países avançados ou países atrasados, mas simplesmente nações bem administradas e mal administradas. Sabemos que a Administração é um fenômeno organizacional e, graças a ela, o mundo alavancou e impulsionou o seu desenvolvimento e progresso em dimensões incríveis, senão
exponenciais. E isso vem ocorrendo desde o início do século passado quando nasceu essa nova ciência.

Hoje, vivemos em uma verdadeira sociedade de organizações. Tudo o que a humanidade necessita -e, muitas vezes, nem percebe- é inventado, criado, planejado, organizado, produzido e entregue por organizações. E todas elas – desde a Organização das Nações Unidas, países, instituições, comércio, indústria, empresas e até pequenos negócios – são bem sucedidas graças à Administração. Aliás, quase todas as ciências – como física, química, botânica, medicina etc. – ou profissões – como engenharia, direito, psicologia, sociologia etc. – requerem a ajuda da Administração para transformar as suas invenções ou atividades profissionais em produtos e serviços à disposição da humanidade com sucesso, eficiência e eficácia, sem deixar de lado a qualidade e produtividade. Por essas razões, penso até que a Administração está se transformando em uma ciência de caráter universal e prodigiosamente fundamental nesse sentido.

E por trás disso tudo vem o papel do Administrador. Não somente na cúpula das organizações, mas em todas as suas diferentes áreas de atividade – finanças, marketing, produção industrial, operações, gestão humana, logística, tecnologia, consultoria, educação, saúde etc. – ou níveis de atuação – seja tática ou operacional. Em todas essas diferentes áreas e níveis, o Administrador planeja, organiza, dirige e controla todas as atividades organizacionais. É ele quem decide e dirige as ações relacionadas com os vários recursos do negócio – materiais, físicos, financeiros, tecnológicos etc., no sentido de sua adequada utilização em termos de eficiência, eficácia, produtividade e resultados. É ele, também, que lidera pessoas, talentos e competências em uma liderança de lideranças. Melhor dizendo, o presidente lidera uma equipe de diretores, cada diretor lidera uma equipe de gerentes, cada gerente lidera uma equipe de supervisores e, assim, até os líderes de equipes, para que cada talento seja engajado, desenvolvido, empoderado e impulsionado para criar e agregar valor ao negócio da organização.

Além disso, o Administrador lida de maneira isolada ou simultânea com uma ampla e diversificada cadeia de partes interessadas da organização – os stakeholders – como  proprietários, acionistas e investidores (shareholders), clientes e consumidores, fornecedores de uma infinidade de insumos, atacadistas, varejistas e colaboradores, além da comunidade ao redor e a sociedade como um todo. Todas essas partes interessadas fazem diferentes investimentos na organização: investem no seu capital de risco ou de operações; compram ou alugam seus produtos e serviços; fornecem energia, água, matérias primas, tecnologias ou consultorias; intermediam os seus negócios no mercado; trabalham nela; aprovam e divulgam o renome de sua marca e até recebem seus detritos e dejetos. E, como é lógico, todos os stakeholders, sem exceção, investem no sentido de receber retornos razoáveis em função dos seus investimentos no negócio da organização: dividendos e juros de suas aplicações financeiras (como acionistas e investidores); jornada, preço e qualidade oferecida (como clientes); contratos e negócios (como fornecedores); negócios e intermediação (como intermediários); etc. Nessa complexa conjunção de interesses e reciprocidades todos saem ganhando conforme seus investimentos.

Claro, a falta ou afastamento de qualquer desses públicos estratégicos representa uma enorme perda ou prejuízo para a organização. Assim, o sucesso e a sustentabilidade de toda empresa dependem totalmente desses públicos externos e internos, isto é, da maneira como a Administração os atrai, os trata e os recompensa com retornos de acordo com as suas diferentes expectativas. Tudo isso depende das decisões do Administrador. Assim, é ele que tem pela frente uma responsabilidade social, financeira e ambiental (ESG) a cumprir e a prestar contas, seja na administração de uma nação, ministério, estado, município, empresa ou qualquer tipo/tamanho de negócio. Afinal, tudo tem o seu preço e o seu retorno. E o âmbito e consequências da atuação de cada Administrador – embora isso nem sempre seja claro para todos – são extremamente amplos, envolventes, complexos e determinantes.

Em rápidas pinceladas, o orgulho de ser Administrador tem lá as suas razões de ser e de existir. O seu papel na sociedade de hoje não é somente indispensável, mas impulsionador do progresso e do desenvolvimento do mundo como um todo e afeta direta ou indiretamente a toda a humanidade.

Parabéns, caro Administrador! O seu orgulho é plenamente válido e certamente recompensador pela amplitude e exponenciação da sua atividade profissional.

Idalberto Chiavenato é um dos autores nacionais mais conhecidos e respeitados na área de Administração e RH, com mais de 30 livros de grande destaque publicados. É graduado em Filosofia e Pedagogia pela USP e doutor e mestre em Administração pela City University of Los Angeles – CA, EUA. É professor convidado da EAESP-FGV e de várias Universidades nacionais e do exterior. Foi conselheiro CFA e, atualmente, é conselheiro do CRA-SP, exercendo a função de vice-presidente de Relações Externas. Recebeu vários prêmios e distinções de entidades nacionais e estrangeiras pela sua contribuição à Administração. É presidente do Instituto Chiavenato.

Sobre o CRA-SP: O Conselho Regional de Administração de São Paulo – CRA-SP é uma autarquia federal, criada em 1968 (três anos após a regulamentação da profissão de Administrador) que, atualmente, reúne cerca de 65 mil registrados, entre pessoas físicas e jurídicas. Embora suas principais funções sejam o registro e a fiscalização do exercício profissional nas áreas da Administração, o CRA-SP tornou-se referência na qualificação de profissionais, ao disponibilizar, de forma gratuita, palestras e eventos em um ambiente onde o conhecimento é tratado como uma poderosa ferramenta, capaz de promover profundas mudanças sociais. Atualmente, o CRA-SP é presidido pelo Adm. Alberto Whitaker.

Fonte: Katia Carmo – katia.silva@crasp.gov.br

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