Nossas Expressões do Dia a Dia

Julio Cesar S Santos

Julio Cesar S Santos

Por Julio Cesar S. Santos – Professor, Jornalista, Palestrante e Escritor

Nesse texto nossa intenção é apresentar aos estudantes e demais interessados, algumas expressões populares bastante usadas no dia a dia, entender suas origens e seus significados. Não sei o que você acha, mas eu adoro as expressões populares.

Então, a partir de agora, te convido a despertar a curiosidade em pesquisar sobre elas (imagine quantas temos espalhadas por esses cantos do Brasil) e, por isso mesmo, vou compartilhar com você algumas delas. Mas, antes de começarmos, é importante conceituar o que são expressões populares. 

Conforme alguns estudiosos, uma expressão popular é uma frase curta, metafórica, de autor desconhecido, pois é culturalmente passada de geração em geração.

Em algum momento, você já deve ter usado a seguinte expressão: “Eu coloco a minha mão no fogo por…”. Essa expressão é usada quando queremos mostrar que algo ou alguém é seguro e que a pessoa pode confiar na nossa palavra. Mas você sabe como ela surgiu? Essa expressão vem de uma tortura praticada na época da Inquisição.

A pessoa que era acusada de heresia tinha sua mão envolvida em uma estopa e era obrigada a andar alguns metros segurando uma barra de ferro aquecida; depois de três dias, a estopa era retirada para checagem da mão, caso a mão estivesse queimada, essa pessoa tinha como destino a forca, e, se estivesse ilesa, os inquisidores teriam a prova da inocência dela. Por isso essa expressão virou sinônimo de atestado de confiança.

Outra expressão muito utilizada no Brasil é: “Santo do pau oco”. Nós a usamos quando queremos dizer que alguém é falso ou hipócrita. Ela teve origem no período do Brasil Colônia, quando se cobravam impostos altíssimos sobre o ouro e as pedras preciosas que vinham de Minas Gerais e, para enganar a coroa portuguesa, os mineradores enchiam os santos, que eram feitos de madeira, mas ocos por dentro, para passarem pelas Casas de Fundição sem pagar os impostos abusivos.

E o que falar da frase: “A cobra vai fumar”!? Ela foi criada no período da Segunda Guerra Mundial, pois Getúlio Vargas, presidente do Brasil na época, em um momento se aproximava dos Estados Unidos e, no outro, se aproximava da Alemanha nazista. Muitas pessoas começaram a dizer: “É mais fácil ver uma cobra fumar, do que o Brasil entrar na guerra”.

Depois de certo tempo, o Brasil acabou participando da Segunda Guerra Mundial contra os alemães e, como resposta, os soldados da Força Expedicionária Brasileira adotaram como símbolo um escudo com a cobra fumando. Hoje em dia, essa expressão é usada para dizer que algo difícil vai acontecer, algo vai gerar problema, confusão.

Já algumas expressões sofreram algumas modificações na pronúncia, como na expressão “hoje é domingo, pé de cachimbo”. Quando eu era criança, tentava imaginar como seria um pé de cachimbo, mas, depois de adulto, fui pesquisar e vi que o correto é dizer: “Hoje é domingo, pede cachimbo”. O termo “pede” é uma conjugação do verbo “pedir” e, essa expressão, é usada para dizer que o domingo é um dia para relaxar, para fumar um cachimbo tranquilamente.

Essas expressões citadas acima são apenas algumas de tantas outras que existem no nosso idioma, elas foram escolhidas e são usadas com uma certa frequência. São exemplos de que nossa língua nunca fica estagnada, ela está sempre sofrendo mudanças, adquirindo novos vocábulos, novas expressões e construindo novos sentidos.

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