Essa Língua Portuguesa!

Professor Carlos Delano

Professor Carlos Delano

Carlos Delano Rebouças – Educador profissional | Revisor de textos |Facilitador de curso

Adoro descobrir as variedades de nossa língua. Amo ver quem se apropria dela, como a alegria se apodera do sorriso, fazer tão bom uso de suas mais diversas (talvez desconhecidas) possibilidades, permitindo-nos uma viagem encantadora no tecer de palavras que ganham sentido e que o dão à vida no enigmático imaginário do ser.

Uma vez, o poeta disse em prosa que o verbo amar é intransitivo. Que choque, hein, para os menos sensíveis e mais precipitados? Mário de Andrade quis dizer, no título de um de seus romances, que esse sentimento ganhou apenas desinência de infinitivo e status de verbo, mas sem jamais precisar de complementos.

Clarice Lispector disse que “queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo em suas mãos, mas desejava que não fosse só às suas em seus escritos”. Cazuza tratou tão bem da palavra “saudade”, que só existe na língua portuguesa, como um grande poeta que na sua imortal existência não nos deixa senti-la, parecendo-nos eternamente vivo.

Poderia aqui me prender à delicadeza de Bilac, quando a tratou tão apaixonada e respeitosamente como “a última flor do Lácio, inculta e bela”, e dizer, ainda me apropriando de seus versos, que “amo-te assim, desconhecida e obscura”. No entanto, não me contive em buscar descobrir os segredos da colocação pronominal que essa ênclise tanto me estimulou.

É para não ser tão prolixo, na prolixidade encantadora dessa língua, faço valer as palavras de Gilberto Mendonça Teles, quando diz que “esta língua é como um elástico que espicharam pelo mundo…”Um elástico assim como a vida, que nunca volta ao ponto de partida”.

Ah, língua portuguesa, como és encantadora! Sempre serás a eterna maestrina dos mais sublimes desejos de seus usuários, que te descobrem os segredos e os revelam, em verso e prosa, a todo instante, na surpreendente capacidade de fazer-se descobrir por meio de sua vastidão de possibilidades as quais nos proporciona.
[10:52, 04/09/2021] Pedro Oi: Na vida, sempre aconteceu de pessoas se aproximarem e se distanciarem das outras sem sequer dar satisfações. Apenas desaparecem na mesma velocidade que surgem.

E nas redes sociais – apêndice de uma vida real cada vez mais real – não seria diferente. Nelas, encontramos e reencontramos amigos e aqueles que um dia achamos que os fossem. Vivemos a controversa situação de dizer “que legal te encontrar!”, mesmo sabendo que sem demora não o verá mais porque, por alguma razão, a tecla de bloqueio entrou em ação.

Como é fácil virar as costas para as pessoas nas redes sociais, não é? Como é rápida a decepção com quem se convida a ser seu “amigo”, apenas pela oportunidade de aumento de número, de likes, de comentários, de compartilhamentos, mesmo não partilhando dos mesmos pensamentos?

Há casos de pessoas que são amigos de longas datas, antes mesmo do surgimento da Internet, que deixam de ser porque nas redes sociais um discordou do pensamento do outro e foi levado a usar o recurso “desfazer amizade”. Há casos de atitudes ainda mais severas, que levam ao bloqueio de quem um dia se dividiu as brincadeiras de rua, por exemplo, pega-pega, amarelinha e o adedonha.

Mas não adianta se espantar se um dia abrir as suas redes sociais e de repente não mais ver o número de seguidores de semanas, dias e horas atrás. Elas são apenas a manifestação da verdade, da realidade, das relações interpessoais, mas com uma nem sempre perceptível diferença: é mais cômodo nelas mostrar o nível de atenção e sua verdade nas relações criadas e já estabelecidas.

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