Assédio moral em tempos de home office é silencioso

Home office não impede casos de assédio moral nas empresas (Depositphotos)

Por AKM Assessoria de Imprensa

Além de mudar as relações interpessoais e de privar as pessoas de momentos de lazer, a pandemia também transformou as relações no ambiente de trabalho. A imposição do home office modificou as rotinas e até mesmo a forma com que o assédio moral se manifesta. André Costa, entrevistador forense e advogado especializado em assédio moral, explica que essa nova realidade ganhou contornos sutis, mas não menos negativos. “A gente tem uma ideia preconcebida de que o assediador é o sujeito que grita, destrata, bate na mesa e tem uma conduta ativa. Mas quando as reuniões acontecem de forma remota, o assédio assume certas particularidades que são inerentes ao ambiente digital. Ele se manifesta de forma passiva e, muitas vezes, silenciosa”, diz.

A dinâmica dos assédios ganhou um tom mais sutil, porque as pessoas têm receio de gravações comprometedoras e de exposição nos meios digitais, mas a potência do assédio não foi diminuída. “Ao não fazer nada, um funcionário pode estar assediando o colega. A pessoa não fala com o outro, não olha para ele nas reuniões, não atende ligações, não responde e-mails e até deixa de convocar para as reuniões. Ao não fazer nada e excluir o colega, está cometendo assédio moral”, explica Costa.

O advogado, que é especializado em compliance, diz que, depois da pandemia, tem sido requisitado com muita frequência por companhias para investigar casos de assédio moral com essas características. “Desconsiderar uma pessoa de um grupo é uma forma muito forte e eficaz de assediar alguém. Eu tenho gerenciado muitas crises relacionadas a esse comportamento nas empresas. O desprezo, a desconsideração de um ente dentro de uma estrutura também é assédio. Ele está acontecendo de forma mais sutil, mas é uma forma bastante forte e eficaz de fazer alguém ceder e sair de uma corporação”, diz.

Esse tipo de assédio velado tem ocorrido com frequência desde o ano passado. “É uma prática muito forte, principalmente neste momento de pandemia. Você é privado de convívio social com parentes e amigos, é privado do lazer, e, naquele ambiente de trabalho, em que você teria um pertencimento e apoio humano, de repente passam a te ignorar. Lidar com essa situação tem sido um grande desafio para as empresas e trabalhadores”, acrescenta.

Horizontal

O especialista explica que o assédio moral acontece em todos os fluxos de relacionamento do ambiente corporativo e não é uma prática cometida exclusivamente pelo chefe. “Existem muitos casos em que a equipe assedia moralmente o líder. Nessa situação, é muito mais difícil de identificar porque a conduta não vem em forma de gritos, mas em forma de boicote. A equipe sonega informações, sabota ações e deixa de comparecer a eventos programados pelo chefe”, exemplifica.

Costa ressalta que nem todo tratamento inadequado se configura como assédio moral. “O assédio moral fica caracterizado pela repetição, é uma perseguição contra um alvo específico. Para ser assédio, é preciso ser um comportamento frequente contra uma pessoa específica”.

Quem está sendo vítima desse comportamento precisa denunciar o caso para o compliance da empresa, fornecendo o maior número de detalhes e informações possível. “Forneça dados, documentos, informações completas e indique testemunhas dos fatos. Isso é fundamental para identificar a conduta”, completa.

 

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