Um plano de negócios é muito mais do que um pacote de boas intenções

Ivan Postigo
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O rumo que segue a sua empresa, segue você também.

Quer comprar uma casa, trocar o carro, fazer a viagem dos sonhos? O atendimento a esses desejos só deve ser feito com o lucro gerado pelo empreendimento.

Você não é acionista e a parte que lhe cabe na divisão dos lucros é mínima? Se a sua participação na geração deste for significativa, poderá receber o que lhe cabe, ou que você estabelece, a título de salários.

Ainda assim não está acontecendo? É hora de repensar como está conduzindo não apenas a sua carreira, mas a construção de seu futuro.

Vamos encontrar muitos casos onde a frase “pessoa rica, empresa pobre” parece verdadeira. Esteja certo que não é.

São situações onde as reservas de lucros ou recursos financeiros foram dirigidos para atendimento de interesses pessoais, exaurindo a capacidade de evolução dos negócios. Empresas e empresários assim estão fadados ao fracasso.

Chegará o tempo que os ativos fixos e o capital intelectual estarão obsoletos e ultrapassados.

Poucos, nessa situação, são capazes de vender os bens pessoais e injetar novamente o dinheiro na empresa.

Quando o fazem é porque os sinais de fracasso são evidentes, e o comprometimento bancário tão alto que o crédito já não lhes é mais oferecido.

Não faltam empresas tomando dinheiro emprestado de agiotas, sustentando fantasias existenciais de pessoas incautas.

Essa é uma questão muito séria e não pode ser tratada apenas com foco em gestão empresarial. É preciso rever e tratar conceitos pessoais.

Mas, e quando encontramos pessoas focadas, trabalhadoras, determinadas, e os resultados não aparecem?

Há uma frase que parece um tanto cruel e que merece atenção: “Na vida, fazendo tudo direito, você tem cinquenta por cento de chance de sucesso”.

O que quer que você faça, perceba que terá que usar sua vocação, seu talento, sua determinação e ainda adicionar competência.

Como equacionar esse problema?

Será que tem solução?

A reflexão nos leva a entender que ninguém que queira ter sucesso poderá consegui-lo sozinho!

As redes sociais nos permitem o desenvolvimento de um networking substancial para obtenção de conhecimentos, e os novos conceitos empresariais conduzem à criação da coopetição. Isso significa ir além da competição. Cooperar, mesmo competindo!

O homem primitivo se reunia para caçar por uma razão muito simples: Ele e sua família não comeriam um mamute sem que parte se perdesse. E, sozinho, jamais teria sucesso na caçada. Poderiam sim, virar a caça.

Algumas danças tinham como objetivo preparar a empreitada, onde cada integrante saberia exatamente o que fazer.

Quando a caça é farta, os erros são tolerados. Desde que o saldo seja positivo e não prejudique a sociedade.

Por que razão pessoas instruídas não observam as lógicas vantagens da associação e cooperação?

Não faltam orientações a esse respeito, não é verdade?

O homem, embora seja um ser social, busca autosuficiência para exercício e exaltação do poder.

Em determinado momento de minha vida, estava negociando uma parceria com uma empresa que venderia nossos treinamentos. Avançamos bastante no processo; quando chegamos à preparação do material de divulgação, nos deparamos com uma barreira que fiz questão de não transpor e preferi não continuar.

O pretendente à parceria nos dizia: – No processo de divulgação apenas minha empresa será “exaltada”. Você poderá apresentar seu curriculum e sua organização ao iniciar o curso, mas quero que, mesmo nas projeções, apenas meu ícone apareça.

Tomando emprestada a palavra que ele usou, para não me “exaltar”, preferi lhe dizer: – Ora, vá caçar mamute! E que seja sozinho.

Um plano de negócios precisa de participação e cooperação dos envolvidos. Aqui cabe bem a palavra “entrega”.

As pessoas precisam se “entregar” ao que estão fazendo.

Um plano de negócios precisa estabelecer o que, quando, como, por quem, para quem, para que, onde, quanto, e todas as questões que forem possíveis serem formuladas.

Perguntas respondidas estabelecem parâmetros para ação.

Com boas intenções os caçadores primitivos corriam atrás de um mamute e arremessavam lanças, sob o risco de serem atacados pelos demais. Isso, quando não o largavam e iam atrás da primeira presa que se mostrasse mais fácil, e acabavam de mãos vazias.

Com um plano de negócios, com tochas acesas, provocavam o estouro da manada, em direção a um abismo, derrubando vários, obtendo melhores resultados, reduzindo os riscos de serem atropelados.

A incompetência estratégica quando não dispersa esforços, provoca a imobilidade operacional.

Nos momentos em que todas as técnicas de gestão não permitem que conduzamos nossas empresas ao desenvolvimento de um plano de negócios com sucesso, um bom caminho é dar uma olhada para trás, no tempo, e ver como nossos antepassados lidavam com os mamutes!

Afinal, um plano de negócios é muito mais do que um pacote de boas intenções.

Ivan Postigo

Economista, Bacharel em contabilidade, pós-graduado em controladoria pela USP

Autor do livro: Por que não? Técnicas para estruturação de carreira na área de vendas

Postigo Consultoria de Gestão Empresarial

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