Resiliência e empreendedorismo

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Por Gutemberg Leite

Uma pesquisa feita por dois consultores britânicos – Sara Bond e Gillian Shapiro – é um dos indícios que apontam a importância da resiliência para que o empreendedor alcance o sucesso que almeja:

“ […] foi solicitado para 835 funcionários de empresas públicas, privadas e sem fins lucrativos na Grã-Bretanha, descreverem o que acontecia em suas próprias vidas e que requeria que eles agissem de forma reservada/contida, eles não apontaram para tragédias como atentados, terríveis erros de negócios, a necessidade de manter-se com o ritmo acelerado das mudanças, ou os desafios da economia ainda difícil – eles apontaram para os próprios colegas de trabalho. 75% deles disseram que o que mais demandou de sua resiliência foi agestão de pessoas difíceis ou a política do escritório no trabalho, sendo seguido por estresse, provocado pelo excesso de trabalho e por ter de suportar críticas pessoais.”[1]

Resiliência é um termo originário do latim resiliens e possui diversos significados, na questão física, por exemplo, significa: “propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação” [2].

Não há como negar a inquietação dos tempos atuais, nem tão pouco, contestar que tal inquietação tem se intensificado por fatores que refletem a crescente velocidade da informação, por meio da tecnologia.

Também não se ignora o que isso pode acarretar no emocional de empreendedores, que, por mais resilientes que sejam, acabam dominados por um estado de atordoamento, devido às rápidas mudanças que os desafiam a enfrentar os impactos – internos e externos – de suas empresas. É válido ressaltar, que muitas organizações acabam driblando a sensação de insegurança frente ao mercado e seus revezes.

No entanto, não somente os fatores apresentados na pesquisa de Bond e Shapiro, mas também, outros que comumente ligam-se ao trabalho, como a irritação, o cansaço ou a falta de perspectiva, se interpretados como acontecimentos passageiros que podem ser gerenciados, ao invés de repremidos, certamente trará, no gratificante retorno positivo da iniciativa empreendedora, o fim, na maior parte das vezes, dos seus efeitos danosos.

Fato é que a busca de constante superação profissional, faz com que muitos empreendedores desrespeitem seus próprios limites pessoais (capacidade de resiliência) desconsiderando que assim procedendo, igualmente condenam suas empresas ao sofrimento que será apresentado sob a forma de baixa produtividade, maiores índices de erros em processos, climas organizacionais negativos e outros.

Não creio haver uma receita pronta ou um proceder determinante para o combate ao estresse, visto que a intensidade dos sentimentos não é algo que se consiga dosar, devido ao seu caráter particularizado. Mas, há caminhos facilitadores!

Trabalhar de forma a manter uma mentalidade de crescimento, com a meta de alcançar níveis crescentes de inteligência emocional, ou em outras palavras,ser mais flexível diante dos problemas, é, em minha opinião, um dos mais recomendáveis.

Isso porque, a flexibilidade desencadeia o interesse pelo “outro lado da moeda”, e este, novos pareceres que por certo sugerirão – tanto no empreendedor, quando na equipe. Se ambos possuírem atitudes mais positivas e, portanto, liberadoras de tensões suficientes para que o conceito físico de resiliência seja parafraseado e adaptado de maneira que “o empreendedor retorne a sua forma original (estado de equilíbrio mental) após ter sido submetido a uma deformação (impacto negativo)” e, de maneira figurada, restitua a sua “capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar às mudanças.” [3]

A resiliência e a flexibilidade são hoje, mais do que nunca, fatores que devem ser agregados ao empreendedorismo e o motivo é muito simples: poucos empreendedores os desenvolvem, esquecendo que as mudanças no mercado não irão esperar que eles se deem conta desse fato para que, no mínimo, vençam a concorrência e alcancem mais habilmente suas metas.

[1] Citação adaptada, grifo nosso. Disponível em: <http://sobrare.com.br/resiliencia-no-trabalho-e-por-que-e-importante/>. Acesso em: junho/2019.

[2]Disponível em: <https://www.google.com/search?rlz=1C1CHBDptPTBR845BR845&q=Dicion%C3%A1rio>. Acesso em: junho/2019.

[3] Disponível em: <https://www.google.com/search?rlz=1C1CHBD_pt-PTBR845BR845&q=Dicion%C3%A1rio>. Acesso em: junho/2019.

Gutemberg Leite – Mestre em Ciências da Comunicação e Gestor de RH.
Mestre em Ciências da Comunicação, pós-graduado em Comunicação Jornalística pela Faculdade Cásper Líbero e especialização em “Novas Tecnologias da Comunicação” pela Universidade da Flórida, Estados Unidos. Pós-graduado em Administração com ênfase em Recursos Humanos pela FECAP e em Direito Empresarial pela EPD–Escola Paulista de Direito. Administrador de Empresas e Jornalista. Certificado em Coaching pelo IBC – Instituto Brasileiro de Coaching e em Mentoria Empresarial pela Valor Empresarial. Iniciou a carreira em Recursos Humanos em 1969, tendo atuado em empresas nacionais e multinacionais até 1982, em recrutamento, seleção, treinamento e desenvolvimento organizacional. Em 1983, fundou o Grupo Meta RH, empresa especializada em serviços de recursos humanos. Coautor dos livros Ser+ inovador em RH, Gestão de pessoas e comunicação, da Editora Ser Mais e, com Fábio França, A comunicação como estratégia de Recursos Humanos, Editora Qualitymark, em sua segunda edição.

 

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