PORQUE MUDAR, DOÍ

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Luiz Otavio

Por Luiz Otávio Goi Junior

“O mundo detesta mudança e no entanto, é a única coisa que traz progresso” Charles F. Kettering

Se existe algo que gera um grande medo no ser humano (após o medo da morte) é o medo da mudança. A mudança, que tira qualquer situação inerte e adaptada do conforto, gera uma preocupação generalizada nas empresas. Neste momento, utilizaremos deste artigo para falar justamente sobre isso, que talvez seja o grande desafio para que um sistema de gestão funcione e perdure de forma sustentável. Gerenciamento de processos, envolve principalmente disseminação de positividade e perseverança e ainda um grande poder de convencimento e isso deve ser ponto focal para qualquer implementação que deseja ser realizada.

É muito comum que seja percebido nas empresas, alguns questionamentos por parte dos envolvidos como “As pessoas aqui não mudam nunca”, “Aqui a cultura já está enraizada demais”, “Aqui as pessoas tem a cabeça muito fechada”, entre outros comentários. O mais importante desse tipo de posição é que seja possível realizar uma profunda avaliação e saber se de fato o problema existente ali é uma resistência generalizada, para que daí possamos criar um meio de evangelização para transformar o atual em novo. Por mais que tenhamos pessoas vivendo ainda do passado, lidando com aquele conforto existente no dia-a-dia ao qual se adaptaram, se faz necessário localizar os limites da resiliência destes para levá-los até seu limite.

A condição da inércia é basicamente um ponto no qual você deve encontrar a alavanca necessária para movimentar aqueles que estão parados e deslocá-los de uma forma que os mantenha girando sem parar. Nas condições atuais, com empresas em desenvolvimento constante, principalmente por conta de nossa tecnologia de expansão exponencial, não existe mais tempo para aguardar que todos estejam preparados para mudar, a mudança precisa acontecer para que as empresas possam manter-se vivas e nesse ponto que queremos chegar.

Estamos vivendo uma era na qual grande parte do que acontece é experimental. Antes, segundo Carlos Piazza, o universo destilava o tempo e hoje é levado por ele, fazendo com que tudo mude antes mesmo de haver uma preparação para isso. As coisas não param de mudar, as tecnologias não param de avançar e aquilo que é novo, logo vira obsoleto. Essa mudança é a causadora da criação das empresas unicórnios que geram números absurdos em pouquíssimo tempo (uber, AIRBNB, entre outras) e essa evolução tem transformado empresas verticais em dinossauros, no qual custos competitivos são compartilhados e para essa mudança, todos precisam estar preparados.

Nesse momento em que vivemos, empresas especialistas em mudanças começam a se destacar e as pessoas que elas buscam, basicamente são as que estão preparadas para isso. Um sistema de gestão precisa ser vivo, bem como uma empresa. Precisa estar o tempo todo se atualizando e se preparando para o novo e as pessoas que fazem parte, também precisam se atualizar.

Como fazer a mudança acontecer?

Para fazer com que a mudança aconteça, você precisa mexer diretamente no grau de maturidade dos envolvidos na sua empresa e essa mexida com certeza será dolorosa. Esse processo de avaliar maturidade, está ligado principalmente a entender como as pessoas lidam com as mudanças de direção necessárias. Essa avaliação tem como prerrogativa fazer um diagnóstico com os principais envolvidos na empresa para entender como estes se adaptam a essas mudanças. Nas avaliações mais simples, temos 04 graus base de maturidade que demonstram em que situação a empresa se encontra:

Maturidade grau 01: Imaturo.

Esse grau de maturidade é o resultado de uma avaliação na qual é percebido uma empresa do “Cada um por si”. Empresas em que normalmente as situações são altamente setorizadas e departamentadas e que cada um cuida de seu resultado específico. Nesses casos é importante que sejam criados padrões de resultados compartilhados para gerar maturidade nos envolvidos e para que de forma compulsiva se auxiliem a obter resultado.

Maturidade grau 02: O imaturo com iniciativa.

Nesse grau de maturidade é percebido a mesma individualidade existente no grau 1, porém é detectada uma busca por redução das redundâncias existentes nos processos da empresa. Esse grau de maturidade normalmente está presente em empresas que passam por reestruturações recentes ou até mesmo que passam por dificuldades financeiras. Nesse caminho, as empresas nesse grau precisam passar por atividades de recursos humanos que fortifique esse trabalho de reduzir redundâncias para aproveitar o movimento que está iniciando. Caso não sejam tomadas medidas, em pouco tempo a empresa retorna ao grau 1 e o trabalho fica muito mais difícil e demorado para retormar.

Maturidade grau 03: O responsável que não sabe como fazer.

Nesse grau de maturidade é percebida uma responsabilidade por parte dos envolvidos em obter o resultado do todo, porém normalmente não existe habilidade ou conhecimento técnico para fazê-lo. Esse grau de maturidade é natural em empresas que tem procedimentos de contratação de trainees frequente ou até mesmo empresas que convivem com clientes que as auditam periodicamente. Esse tipo de situação mescla pessoas nos três graus de maturidade o tempo todo, gerando pessoas responsáveis x pessoas enraizadas criando um ambiente de muito choque, porém com pouco desenvolvimento de fato. Nesse tipo de empresas, os responsáveis costumam ficar isolados em alguns casos e normalmente são conhecidos como “puxa-saco”, criando uma barreira negativa para que desenvolvam seus novos trabalhos. Nesse grau é muito comum que pessoas responsáveis percam sua motivação e busquem outros trabalhos, portanto é muito importante que exista um programa de premiação e motivação de novas ideias e resultados, pois assim todos aqueles que estiverem interessados em mudar e desenvolver, terão motivação para isso.

Maturidade grau 04: O sistema em pleno funcionamento.

As empresas que estiverem nesse grau, apresentam um desenho que caminha para o utópico “todos no mesmo barco”. Esse grau de maturidade é representado principalmente por pessoas sem melindres e por empresas na qual todos enxergam o resultado geral como seu. Essa medição do seu impacto no todo e nos seus parceiros é algo que leva muito tempo para desenvolver e principalmente gera uma redução de desperdícios pela existência da autorresponsabilidade. Esse tipo de empresa, respira melhoria e mudança e por isso conseguem atender o pleno funcionamento e ainda desenvolver-se cada vez mais de acordo com as mudanças do mercado.

Independente de qual seja o grau de maturidade onde sua empresa está nesse momento, o mais importante e que a alta administração ou a administração estratégica deseje mudar. Esse fator é a maior alavanca para que exista o compromisso de todos. Muitas peças com certeza precisarão ser trocadas nesse caminho e ainda muitos problemas aparecerão, mas se não existir o primeiro passo jamais haverão os outros.

Sobre o autor

Luiz Otávio Goi Junior tem formação na área ambiental, especialista em educação, sistemas de gestão integrados e MBA em Gestão empresarial. Tem expressiva vivência em gestão no ramo da indústria, no qual soma mais de 14 anos de experiência nos ramos automobilístico, energia e bens de consumo. Atualmente executivo em sistemas de gestão em indústria de grande porte, autor do livro Administrando sistemas, Gerindo processos e Engajando pessoas e publica artigos periódicos voltados a sistemas de gestão em revistas e páginas técnicas na área.

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