Gestão da Qualidade – do Modelo Japonês à Série ISO 9000

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Por José Alberto de Castro*

1- Nosso Propósito

O texto ora apresentado constitui o primeiro de um conjunto de artigos que trabalharemos ao longo dos próximos dias para mais que traçar uma linha de tempo, apresentar os conceitos da gestão da qualidade a partir da metodologia Japonesa, via TQC – Total Quality Control, até a metodologia aplica pela norma NBR ISO 9001.

Desejamos uma boa leitura e esperamos agregar valor aos seus conhecimentos no tema.

2 – Breve Histórico do TQC

Desde a Revolução Industrial, Século XVIII, o setor produtivo tem se preocupado com seus custos, sempre buscando produzir mais pelo menor preço.

 O Século XX trouxe o crescimento populacional e os grandes conflitos mundiais. Após 1917 o mundo se divide em dois grandes blocos, um de países líderes que impunham seus produtos ao grupo consumidor, e detinham mercados cativos.

Em 1911 Taylor edita o livro “Princípios da Administração Científica”, em que define as funções dos gerentes e dos operadores e lança os conceitos da produção em série.

Início da década de 1930, Henry Ford implementa os conceitos de Taylor na indústria automobilística e obtêm resultados que são conceituados como a segunda revolução industrial.

A década de 1940 inicia-se com a segunda Guerra Mundial, que ao seu final mantem o mundo divido em dois blocos, porem desta feita há um grupo de países arrasados pela ignorância e insensatez da guerra. Essas nações derrotadas iniciam seus processos de restauração material, econômica e cultural com a ajuda e supervisão dos países líderes (Estados Unidos, Inglaterra, França e União Soviética).

No ocidente, os EUA se destacam como o grande produtor mundial nas décadas de 1950 e 1960, e com essa realidade suas empresas assumem processos produtivos eficientes. Era a época das “vacas gordas”, a demanda era maior que a oferta. Neste período o profissional de destaque era o vendedor. O profissional de vendas era quem dava o tom e a cor do mercado.

No final da década de 1940, o Japão pós-guerra recebe a assessoria dos EUA para iniciar sua reconstrução. Os cientistas Deming, Juran, Feigenbaum e Crosby são destacados para implementarem suas teorias no setor produtivo japonês. Estas teorias geraram os conceitos de Hardware (máquina) e Software (processo) que constituem o lado técnico da administração e gerencia.

Os japoneses estudaram as teorias e apresentaram questionamentos a esse modelo máquina-processo, o qual se mostrava eficiente, porém deixava transparecer falhas como:

  • O homem é o meio ou o fim?
  • O mercado é eterno ou infinito enquanto dure?
  • O produto é definição do profissional de vendas ou objeto da satisfação do consumidor?

Como resposta a estes questionamentos, os japoneses agregaram ao lado técnico, a vertente social ou do ser humano. Para tanto importaram as teorias dos cientistas americanos Maslow, McGregor e Herzberg, gerando o conceito do Humanware ou Peopleware.

A junção das vertentes técnica e humana (hardware, software e humanware) gerou o modelo administrativo-gerencial denominado TQC – Total Quality Control ou aportuguesando, CTQ – Controle da Qualidade Total.

No TQC o ser humano é o centro do processo produtivo e elemento definidor do mercado. A partir daí são definidos os termos: cliente em substituição a consumidor (elemento passivo) e parceiro em substituição a empregado. O TQC preconizava que: ‘o cliente é o Rei’.

Em aperfeiçoamento ao modelo, os japoneses definiram que a qualidade era dever de todos na empresa, este fato levou-os a redefinirem o TQC como: CWQC – Company Wide Quality Control ou em português corrente, CQTE – Controle da Qualidade em Toda a Empresa.

No Japão o CWQC foi implantado pela JUSE – Union of Japonese Scientists and Engineers.

A década de 1970 apresentou a crise do petróleo e por extensão a crise do mercado mundial, e os japoneses conquistaram o mercado mundial, inclusive e principalmente o mercado americano.

Final da década de 1980 e início da década de 1990, os EUA lutam pelo equilíbrio da balança comercial com o Japão, algo impensável em um passado recente.

Neste período o fenômeno japonês desperta a curiosidade do ocidente, o modelo administrativo-gerencial (TQC, CWQC) é difundido e adaptado para a realidade ocidental. Nos EUA se institualiza a Reengenharia Administrativa. Nos países do terceiro mundo e nos em desenvolvimento, principalmente os fornecedores de matéria prima, caso brasileiro, implanta-se o TQC a partir do setor siderúrgico. No Brasil o programa recebeu várias siglas e denominações, por exemplo: TQC, CQT e GQT – Gerencia da Qualidade Total.

Alberto_Foto_Curriculo

*José Alberto de Castro é engenheiro eletricista (UFC – 1979) pós-graduado, lato sensu, em Gerência de Marketing (UECE – 1999) e Gestão Ambiental (Unifor – 2010). Cursos de extensão em Desenvolvimento Gerencial em Gestão da Inovação, Gestão da Qualidade Total, Computação Aplicada à Engenharia de Distribuição e capacitação em ISO 14001:2004 Environmental Management Systems Lead Auditor Course. Foi professor substituto do Centro de Tecnologia da UFC e trabalhou por 30 anos na Coelce onde além das atividades específicas da profissão, desenvolveu atividades como instrutor interno da Qualidade Total e Programa de Inovação, coordenador de Sistemas de Gestão da Qualidade (SGQ), Secretário do Comitê Técnico Ambiental do Sistema de Gestão Ambiental (SGA) e Auditor Interno dos sistemas SGQ e SGA. Atualmente é sócio da Concema, empresa que atua nas áreas de consultoria, treinamento e auditoria dos sistemas da qualidade (SGQ), ambiental (SGA) e da energia (SGE), engenharia e projetos de inovação e de pesquisa e desenvolvimento.

Comments are closed.