Gestão da Qualidade – do Modelo Japonês à Série ISO 9000 Parte 6: MASP – Método de Análise e Solução de Problemas e Ciclo PDCA

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Por José Alberto de Castro

Processo é um conjunto de atividades (meios ou causas) que a partir de insumos (entradas) geram um efeito (produto e/ou serviço).

Um mesmo processo pode gerar produtos e serviços que atendem aos requisitos da meta que os concebeu (ditos de boa qualidade), ou produtos e serviços que não atendem esta meta (ditos de má qualidade), neste caso temos um problema. Lembrando que problema é um resultado com o qual não estamos satisfeitos.

Esta propriedade do processo de gerar efeitos com características, a princípio antagônicas, advém de variações nas condições e no desenvolvimento das entradas e dos meios respectivamente.

Segundo os princípios do TQC, a sobrevivência da empresa está intimamente ligada à sua capacidade de atender aos requisitos das pessoas, então a empresa deve agir para que seus processos não gerem problemas, e isto se faz via o controle dos processos para eliminação das causas dos problemas.

Infelizmente ainda atualmente, algumas empresas aplicam a ‘inspeção do produto’ que é uma ação limitada à verificação da conformidade da saída do processo, ou seja, trabalha sobre o efeito e não sobre as causas. Esta prática advém de uma cultura reativa que tem por base princípios como:

  • Os processos têm tantas causas de defeitos que é realmente impossível controlá-las;
  • A complexidade dos processos associada aos requisitos dos clientes tornam inevitáveis as anomalias de produtos e serviços.

A forma correta para se mitigar e até eliminar a geração de produto e serviço de má qualidade é se atuar sobre as causas. Ao longo dos anos as empresas têm utilizado duas formas de se efetivar práticas de atuação sobre as causas, utilizando metodologias:

  1. Intuitivas, que são de rápida aplicação, porem de baixíssima eficácia por terem por base apenas a experiência e a intuição dos profissionais na solução dos problemas.
  2. Estatísticas, que requer tempo para aplicação, porém têm alta eficácia por utilizarem ferramentas estatísticas, capacitação e conhecimento do processo por parte dos profissionais e se basear em fatos e dados na solução dos problemas.

O TQC utiliza para a solução de problemas a técnica de análise de processos, que é um conjunto de procedimentos lógicos baseados em fatos e dados para a identificação da causa fundamental dos problemas. Esta técnica utiliza ferramentas estatísticas e conhecimento tecnológicos de processos e produtos.

A análise de processos se constrói a partir do Método de Análise e Solução de Problemas (MASP) combinado com o conceito de PDCA.

PDCA

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Fonte: Google Imagens

Conceito gerencial, o ciclo PDCA está estruturado em atividades de planejamento; execução; análise e verificações; e ações corretivas, foi implementado em 1951, por Deming[1], no programa de qualidade japonês, e que veio a se firmar como um dos princípios do TQC.

O ciclo PDCA tem por objetivo a melhoria contínua de processos, e sua implantação se faz em 4 etapas:

P – Plan, Planejamento, compreende o estabelecimento: da meta para o item de controle e do método para se atingir a meta.

D – Do, Desenvolvimento, compreende a execução das atividades e tarefas segundo o planejado, o que inclui a coleta de dados durante o processo.

C – Check, Checar, compreende a verificação do grau de atendimento da meta, através da análise dos dados coletados ao longo da execução das atividades e tarefas.

A – Action, Ação Corretiva, compreende a atuação sobre o processo visando corrigir desvios ou problemas, e se padronizar ações exitosas e repetição das mesmas para se prevenir as recorrência de problemas.

MASP – Método de Análise e Solução de Problemas

Método que utiliza um conjunto de procedimentos gerenciais no controle da qualidade total e tem por objetivo a melhoria contínua de processos via: a solução de problemas e a padronização de resultados no desenvolvimento desses processos.

O MASP é um método de gestão que tem por base fatos e dados, e para solucionar os problemas o mesmo utiliza as sete ferramentas do controle da qualidade, tendo por foco a mitigação de não conformidades no fluxo de trabalho, nos equipamentos e nos produtos e serviços de um processo. Este método disponibiliza ferramentas e procedimentos gerencias para a avaliação dos processos e os níveis da qualidade de seus produtos e serviços.

A implementação do MASP se faz em oito etapas sequenciadas segundo a lógica do Ciclo PDCA:

Ciclo Plan

  1. Identificação do problema

Identificação e caracterização do problema;

  1. Observação do Problema

Análise in loco do problema, com uma visão ampla e focada nas características do mesmo, e na coleta de dados e informações;

  1. Identificação e Análise das Causas

Identificação e caracterização das principais causas do problema, através da análise de dados e informações disponíveis e aplicação de ferramentas estatísticas;

  1. Plano de ação

Elaboração de um plano de ações para bloqueio das principais causas do problema.

Ciclo Do

  1. Ação

Implementação do plano de ação estabelecido, registro dos resultados obtidos e treinamento das pessoas executoras das tarefas.

Ciclo Check

  1. Verificação de Resultados

Avaliação da eficácia do plano de ações implementado, através da comparação dos dados anteriores às ações com os obtidos a partir da implantação das mesmas.

Ciclo Action

  1. Padronização

Documentação das ações efetivas e registro dos resultados obtidos, elaboração de novos padrões ou revisão dos existentes, com o objetivo de evitar a repetição do problema e a melhoria contínua dos processos.

  1. Conclusão

Análise e documentação, via relatório, de todo o processo de solução do problema, desde a observação da não conformidade até a sua solução com ênfase nas ações implantadas e seus resultados.

A aplicação do MASP e do Ciclo PDCA em conjunto possibilita a otimização e melhoria contínua dos processos, bem como a mitigação de problemas em produtos, serviços, equipamentos e atividades organizacionais.

[1] William Edwards Deming, norte americano (1900-1993), estatístico, professor universitário, reconhecido pela melhoria dos processos produtivos nos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, sendo, porém, mais conhecido pelo seu trabalho no Japão.

Acompanhe a série completa 

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