Gestão Ambiental – A Questão Ambiental no Planeta

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Por Alberto de Castro

Nosso Propósito

O texto ora apresentado constitui o primeiro de um conjunto de artigos que trabalharemos ao longo dos próximos dias para mais que traçar uma linha de tempo, apresentar os conceitos da gestão ambiental (compromisso e responsabilidade ambiental, desenvolvimento sustentável, sustentabilidade, etc.) e as bases de um sistema de gestão ambiental segundo a metodologia aplica pela norma NBR ISO 14001.

Desejamos uma boa leitura e esperamos agregar valor aos seus conhecimentos no tema.

A Questão Ambiental no Planeta

De início, necessitamos entender dois conceitos que são a base para se trabalhar a gestão ambiental, o primeiro deles é ‘natureza’ que é o meio físico-natural do planeta terra que está à disposição dos seres humanos. O segundo é ‘meio ambiente’ que é a relação, no tempo e espaço, dos seres humanos entre si e com a natureza. Portanto natureza é algo autossustentável pois não necessita da ação dos seres humanos para existir, enquanto que o meio ambiente necessita da ação dos seres humanos para ser construído e reconstruído. Portanto, o meio ambiente é o resultado das ações dos seres humanos ao longo dos anos.

A preocupação com a conservação da natureza, que ao longo do texto trataremos como preservação ambiental, é um instinto de autodefesa dos seres humanos, pois as ações de proteção à mesma é também uma forma de se preservar e perpetuar a espécie humana.

A preocupação com a preservação ambiental data dos primeiros períodos da história, sendo exemplos de ações neste sentido, a implantação de legislação de proteção dos recursos naturais, florestais e atividade pesqueira no Brasil colonial, a implantação dos sistemas de coleta urbana do lixo domiciliar em: Viena século XIV, Londres século XV, Paris e Rio de Janeiro século XIX, São Paulo e Fortaleza primeiros anos do século XX.

A Revolução Industrial[1] constituiu um marco na história e que repercutiu sobre vários aspectos da vida cotidiana da época, apesar de contribuir positivamente na vida das pessoas, proporcionando um crescimento socioeconômico e boa renda média, também deu o start para o início do uso intensivo dos recursos naturais, e a poluição ambiental.

Após a revolução industrial, surgem problemas como poluição das águas, do solo e do ar, a geração do lixo e o consumo per capita elevado. Esta condição de interversão dos seres humanos sobre a natureza se agrava década após década, sendo que a partir da segunda metade do século XX pode-se constatar, sem nenhum exagero, que o nosso desenvolvimento se tornou menos sustentável, tendo em vista que: os recursos não renováveis já dão indicativo de extinção em um futuro próximo; o aumento do consumo de energia tem gerado a preocupação de que as fontes e tecnologias disponíveis sejam insuficiente para atender à demanda; e o lixo gerado, cada dia em maior quantidade, já não haja espaço para sua disposição final dentro dos padrões de higiene e salubridade necessários.

São fatores que têm contribuído para a mudança no estilo de vida das pessoas, geração pós geração e o consequente avanço na degradação do meio ambiente:

  • Os níveis de crescimento e de urbanização da população mundial (ver tabelas e gráficos na sequência);
  • O uso intensivo de recursos não renováveis, como o carvão, o petróleo e outros minerais; e
  • A mudança no padrão de consumo das pessoas, traduzido pelo aumento do consumo de água, de energia e de bens de consumo com a intensiva produção de lixo doméstico per capita e do lixo industrial.

Tabela e Gráfico 1 – Evolução da População Mundial, fonte ONU[2]

Ano População Crescimento Anual
1802 1,0 bilhão
1928 2,0 bilhões 7,94 milhões
1961 3,0 bilhões 30,30 milhões
1974 4,0 bilhões 76,92 milhões
1987 5,0 bilhões 76,92 milhões
1999 6,0 bilhões 83,33 milhões
2011 7,0 bilhões 83,33 milhões
2017 7,6 bilhões 100,00 milhões
2019 7,7 bilhões 50,00 milhões
2026(*) 8,0 bilhões 42,86 milhões

(*) Estimativa

Artigo grafico 1

Tabela e Gráfico 2– Evolução da População do Brasil, fonte IBGE[3]

Ano População

(Milhões)

Crescimento Anual (Milhões)
1872 9,93
1890 14,33 0,24
1900 17,43 0,31
1920 30,64 0,66
1940 41,23 0,53
1960 70,99 1,49
1970 94,51 2,35
1980 121,15 2,66
1991 146,92 2,34
2000 169,59 2,52
2010 190,75 2,12
2020(*) 211,51 0,72

(*) Estimativa

 

Artigo grafico 2

Em resposta a esta crescente poluição ambiental inicia-se a partir do ano de 1960, o engajamento da sociedade civil em programas e ações de conscientização ambiental, resultando em movimentos para denunciar de forma intensiva as condições de degradação do meio ambiente, através de documentos oficiais, livros e dos meios de comunicação. Constitui um marco desta ‘nova’ realidade a publicação em 1962 do livro “A Primavera Silenciosa”, no qual sua autora Raquel Carson[4] trabalha a compreensão das interconexões entre o meio ambiente, a economia e as questões relativas ao bem-estar social.

A partir deste posicionamento social, líderes políticos de diversos países e de organismos como a ONU, passaram a discutir como lidar com os problemas ambientais presentes e implementar ações de mitigação de suas consequências, podendo ser citados como exemplos:

  • Na década de 1960 foram criados no Brasil: 1965 – o novo Código de Defesa Florestal, 1967 – a lei de Proteção à Fauna, e 1967 – o IBDF[5] – Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal e instituídas reservas indígenas e biológicas, e parques nacionais;
  • Realização pela ONU da Conferência de Estocolmo, na Suécia em 1972, a primeira a tratar das questões ambientais;
  • Publicação em julho de 1972, pelo Clube de Roma[6], do relatório “Limites ao Crescimento”, que apresentou um alerta sobre os riscos de um crescimento econômico baseado em recursos naturais não renováveis, e tinha por objetivo conscientizar a sociedade para os limites da exploração do planeta;
  • Criação pelo governo brasileiro, em 1973, da SEMA – Secretaria Especial do Meio Ambiente, com a função de estabelecer normas e padrões relativos à preservação do meio ambiente;
  • Instituição em 1978 pela Alemanha do primeiro selo ecológico mundial, “Anjo Azul”, para identificar produtos considerados ambientalmente corretos;
  • Publicação em 1987, pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, do Relatório Brundtland, com o título “Nosso Futuro Comum”, que reafirma a visão crítica do modelo de desenvolvimento adotado pelos países industrializados e reproduzido pelos em desenvolvimento. Apresenta o conceito de Desenvolvimento Sustentável (“O desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades.”), e denuncia a incompatibilidade entre este desenvolvimento e os até então padrões de produção e consumo.
  • Publicação em 1992 do livro “Mudança de Curso: Perspectivas de Negócios Globais para o Desenvolvimento e o Meio Ambiente”, no qual seu autor Stephan Schmidheiny[7] apresenta uma análise consistente de como as empresas podem focar de suas estratégias de negócios no desenvolvimento sustentável.
  • Realização do primeiro grande evento sobre meio ambiente realizado no mundo pela ONU, a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (Eco-92, Cúpula da Terra, Cimeira do Verão e Rio 92), em junho de 1992 no Brasil, cidade do Rio de Janeiro, conferência de chefes de estado organizada pela ONU, teve por objetivo debater os problemas ambientais mundiais.

[1] Revolução Industrial período de transformação dos processos de manufatura entre 1760 a algum momento entre 1820 e 1840, incluindo: transição dos métodos de produção artesanais para a produção por máquinas, fabricação de novos produtos químicos, novos processos de produção de ferro, maior eficiência da energia da água, uso crescente da energia a vapor e o desenvolvimento das máquinas-ferramentas, além da substituição da madeira e de outros biocombustíveis pelo carvão. A revolução teve início na Inglaterra e em poucas décadas se espalhou para a Europa Ocidental e os Estados Unidos.

[2] ONU – Organização das Nações Unidas, é uma organização intergovernamental com sede em Nova York – EUA e com 193 estados-membros, criada 24 de outubro de 1945 para promover a cooperação internacional e tendo por objetivo impedir outro conflito como a II Guerra Mundial.

[3] IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, é um instituto público da administração federal brasileira com sede na cidade do Rio de Janeiro, criado em 1934 e instalado em 1936 com o nome de Instituto Nacional de Estatística, tem atribuições nas geociências e estatísticas sociais, demográficas e econômicas, incluindo a realização de censos e tratamento das informações desses censos.

[4] Rachel Louise Carson (Springdale, Pensilvânia – USA, 27 de maio de 1907 ─ Silver Spring, Maryland – USA, 14 de abril de 1964), bióloga marinha, escritora, cientista e ecologista. Iniciou sua vida profissional como bióloga marinha no United States Fish and Wildlife Service dos Estados Unidos e a partir de 1950 tornou-se escritora em tempo integral.

[5] IBDF –  Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, autarquia da administração federal brasileira com sede no Distrito Federal – Brasília, criado pelo Decreto-Lei nº 289 de 22 de fevereiro de 1967, com atribuição para elaborar planos indicativos, anuais e plurianuais, de florestamento e reflorestamento, nacionais e regionais, e que através da fusão com as entidades brasileiras que atuavam na área ambiental: SEMA – Secretaria do Meio Ambiente, SUDHEVEA – Superintendência da Borracha e SUDEPE – Superintendência da Pesca (Lei 7.735 de 22/02/1989), deu origem ao IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.

[6] Clube de Roma, grupo de pessoas da sociedade com notório saber, fundado em 1968, que se reuniam para debater assuntos relacionados à: política, economia internacional e, sobretudo, meio ambiente e desenvolvimento sustentável.

[7] Stephan Ernst Schmidheiny nasceu em Balgach, Suíça, em 29 de outubro de 1947, empreendedor, filantropo e defensor do desenvolvimento sustentável, iniciou sua carreira de negócios na Eternit, empresa de sua família, em 1981 como presidente da empresa, anunciou a intenção da Eternit de extinguir suas atividades na produção e distribuição de amianto, o que aconteceu em 1987, cinco anos depois.

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