Gerentes Ágeis Constroem Infraestrutura Para as Mudanças Organizacionais

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Qual a Influência dos Gerentes Ágeis nas Mudanças Organizacionais? Quais as Principais Características das Culturas Ágeis? Como as Culturas Organizacionais Evoluem ou Desaparecem?

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Por Julio Cesar S. Santos – Diretor Acadêmico na Polo Educacional do Méier

Gerentes Ágeis são pessoas que excluem do seu vocabulário a expressão “sempre fizemos as coisas assim”. São profissionais que veem oportunidades nas mudanças em mercados, em tecnologias, dados demográficos ou outras áreas. Ser Ágil talvez seja a característica mais importante de qualquer cultura para sua sobrevivência no longo prazo e, esse é o motivo pelo qual, a IBM não é mais uma empresa de máquinas de calcular.

A Honda concorre com indústrias automobilísticas muito maiores do que ela e, bem possivelmente, o motivo pelo qual sua empresa sobreviverá às tendências da próxima década é exatamente isso – ser um Gerente Ágil. Algumas das características que todas compartilham são:

  • “Estamos dispostos a “violar as regras” para reagir rapidamente à concorrência”: Houve um tempo que comprar músicas novas era um risco. Não podíamos abrir os discos e tocá-los nas lojas e, se não tivéssemos escutado as músicas antes em outro lugar, o risco era enorme. Foi então que a Amazon.com teve a ideia de usar a tecnologia streaming que permitiu aos clientes ouvirem uma amostra de quase todos os discos na internet e, nesse processo, pulou do nada para se tornar um dos maiores varejistas de música do mundo.
  • “Estamos à frente das empresas similares quanto ao uso da tecnologia”: Nos primórdios da internet, a Dell Computer solicitou a seus funcionários que comprassem um livro online para entender o impacto que o comércio eletrônico teria em seus negócios. Hoje, quase a metade das vendas da Dell ocorre online, com custos mais baixos que continuam a abastecer seu domínio no mercado de computadores.
  • “Gastamos mais tempo do que os concorrentes analisando tendências dos clientes”: Você sabe quantas pessoas pedem pratos de carne às terças-feiras nos restaurante do sua cidade? Ou o principal motivo pelo qual ligam para o centro de atendimento ao cliente das empresas? Ou que tendências nos hábitos de compra surgiram ao longo do último ano? Informação é poder e, hoje em dia, as empresas estão captando informações dos clientes e utilizando-as em um nível mais estratégico jamais visto, a fim de orientar seus planos de negócios atuais e futuros.

Essa divisão entre as culturas fiéis à tradição e as culturas Ágeis tornou-se crucial nos últimos anos, pois hoje as mudanças ocorrem de forma mais rápida do que jamais antes no meio empresarial. Hoje, os cemitérios corporativos estão repletos de quem demorou a se adaptar à tecnologia, de quem nunca imaginou que o Japão pudesse desenvolver aparelhos eletrônicos competitivos ou de quem nunca buscou talentos fora do círculo de velhos conhecidos.

Como as Culturas Evoluem ou Desaparecem

Em 1970 no filme “Bananas”, Woody Allen pertence a um grupo de guerrilheiros da América do Sul que tentam derrubar o governo. O grupo consegue cumprir sua missão e, imediatamente depois, o líder começa a divulgar seus próprios decretos – igualmente repressivos – inclusive dando ordens para que “todos mudassem a roupa de baixo a cada meia hora”.

Da mesma forma, o romance de George Orwell (“A Revolução dos Bichos”) narra a história de um grupo de animais que declara uma sociedade igualitária e, mais tarde, observa sua gradual transformação num regime totalitário, à medida que essas liberdades se tornam “inconvenientes” para os animais mais fortes.

O tempo costuma causar mudanças nas práticas de negócios que podem reforçar uma cultura bem-sucedida ou plantar as sementes de sua derradeira ruína. Dessa forma, as mudanças podem trazer novos processos de negócios e, com o tempo, uma nova cultura empresarial.

A verdade é que, quem cresce, ou até mesmo consegue apenas sobreviver, muda. E, muitas vezes, essa mudança vem em forma de dezenas de decisões individuais, cujo impacto talvez só fique claro tarde demais. Sendo assim, apresentamos abaixo algumas diretrizes para manter viva uma cultura Ágil, à medida que ela evolui.

A) Examine o Impacto de Novos Processos

Culturas do local de trabalho raramente pioram porque seus líderes acordaram certa manhã e decidiram torna-las assim. Em geral, elas começam como resultado de decisões bem intencionadas que reagiram às circunstâncias do dia-a-dia dos negócios.

Digamos que você seja o diretor de uma pequena empresa de marketing e tenha na geladeira um estoque de refrigerantes para consumo gratuito dos seus funcionários. Com o tempo, você dobrou em tamanho e acabou observando um aumento desproporcional no custo dos refrigerantes.

Então, certa noite, depois do expediente, alguém vê um funcionário carregando caixas de refrigerantes até o carro. O funcionário foi demitido e a política dos refrigerantes gratuitos foi por água abaixo. Depois de muito tempo, você observou outras áreas em que os funcionários poderiam abusar de sua confiança e, imediatamente, eles devem começar a registrar os artigos de escritório que retiram de um armário trancado, as despesas de viagem passam a ser examinadas e os gerentes têm de aprovar qualquer despesa feita pelos funcionários.

Será que a sua empresa sobrevive à perda de refrigerantes e a uma folha de registros para quem pega lápis no armário? Talvez sim. Porém, se você não considerar esses fatores como parte do processo e não examinar o rumo que esse processo está tomando, certamente descobrirá que sua cultura está mudando lenta e implacavelmente.

Decerto, você se protegeu do que já aconteceu, mas ao longo desse processo acabou acrescentando mais processos e tornou-se menos Ágil. Em última análise, se você não tomar cuidado com o impacto dos novos processos de negócios, poderá ficar na mesma situação de uma grande empresa que contratou um funcionário canhoto. Ele queria trocar de lado o telefone de sua mesa e precisava de um fio maior.

Primeiro, ele procurou o gerente e soube que a aprovação da empresa poderia levar meses e, depois, o gestor propôs que ele mesmo comprasse o fio, cujo custo era baixo era baixo e levasse para a empresa. “Sinto muito”, disseram, pois trazer seu próprio equipamento de telecomunicações era estritamente contra a politica da organização. Finalmente ele resolveu o problema sozinho – demitiu-se.

B) Examine o Impacto do Crescimento

As culturas empresariais Ágeis são culturas de crescimento e, o melhor exemplo é a Dell Computer, a qual pulou de um dormitório universitário para a lista das 500 maiores em menos de uma década e, atualmente, está entre as 50 maiores do mundo. A Southwest Airlines é hoje a 5ª maior empresa de aviação comercial do mundo, com 30 mil funcionários e é a única grande empresa a ser consistentemente lucrativa ano a ano.

A cadeia de restaurantes Sr. Hubert soube explorar de forma impecável jantares familiares e cortesias infalíveis, passando de um único restaurante para uma instituição com mais de 100 lojas espalhadas pelo Canadá. O crescimento pode ser criado e mantido por uma cultura em si, ou mesmo pelo conceito de cultura.

Por exemplo, certa vez um professor deu a Fred Smith (CEO da FedEx) uma nota baixa pelo seu trabalho na faculdade, o qual propunha um sistema de empacotamento e entrega. Mas, Smith continuou insistindo e sua ideia gerou um setor competitivo multimilionário que jamais existiu antes; ou seja, a empresa de entregas rápidas.

Por outro lado, as forças da sociedade podem gerar um crescimento repentino, como a recente revolução das empresas Ponto com e, dessa forma, os alicerces de uma cultura empresarial acabaram determinando que lidera o setor e quem entra em queda depois de um sucesso repentino. De qualquer forma, o crescimento se torna uma questão de valores essenciais e vice-versa.

O crescimento é visto como algo bom, mas uma empresa corre mais risco quando está mudando e, em especial, quando está crescendo. Quanto mais indivíduos você acrescenta ao seu mix – seja um novo gerente ou a aquisição de uma nova divisão – mais muda sua cultura. Isso significa que a filosofia subjacente a quem você contrata, como você se expande e quem o lidera exerce influência sobre o que se tornará futuro. Um dos fatores mais importantes para a sobrevivência no longo prazo de uma empresa é como ela lida com as ramificações do crescimento.

C) O Jogo Interno da Mudança

As mudanças costumam ser influenciadas pelo que acontece ao redor: pressões competitivas, novos modelos de negócios e até mudanças mais abrangentes na própria sociedade. Porém, ser Ágil e estar aberto às mudanças são valores que começam de dentro para fora.

Isso implica a capacidade de lançar às situações um novo olhar e questionar por que todos os outros fizeram coisas das formas como sempre fizeram e, quando você domina o jogo interno das mudanças, começam a surgir possibilidades que muitas vezes não existiam antes para seus concorrentes.

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