Cultura de gestão em QSMS

Luiz Otávio Goi Junior
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O desafio de criar resultados verdadeiramente sustentáveis

Por Luiz Otávio Goi Jr.*

A cultura de gestão em QSMS (Qualidade, Segurança do trabalho, Meio ambiente e Saúde ocupacional) vem sendo motivo de estudo, discussão e tratativa já a bastante tempo, porém ainda são poucos os casos em que vemos metodologias definidas para desenvolver essas culturas de uma forma sustentável. Vemos que empresas que tem um plano bem desenvolvido para estes sistemas de gestão, costumam apresentar bons resultados, porém assim que colocados em modo automático no dia a dia, grandes problemas começam a surgir, necessitando reiniciar o processo todo com uma certa frequência.

   Essa condição apresentada, costuma ter inúmeros motivos, porém escolhi os mais comuns e que são responsáveis pela maioria das situações de perda da cultura de gestão para comentar a diante, e ainda seguidos de sugestões para mitiga-los ou sana-los por completo.

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  1. Os sistemas de gestão não fazem parte da estratégia: O erro cometido de forma mais comum, quanto a cultura dos sistemas de gestão, acontece quando estes não fazem parte da principal estratégia da empresa. A estratégia empresarial precisa estar muito focada em atender os anseios ligados a estes sistemas e sua política, missão, visão e valores devem reforçar seu empenho em garantir sua manutenção. Empresas podem desenvolver trabalhos formidáveis em sistemas de gestão, porém, no momento em que eles não estão na estratégia base, são os primeiros pontos a serem deixados de lado nos momento críticos, perdendo todo o trabalho realizado. Para solucionar essa questão, os sistemas de gestão precisam estar no DNA da empresa, demonstrando o interesse e a responsabilidade para com eles.
  1. Os indicadores evoluem e os resultados não: Infelizmente ainda é um tabu fazer gestão de resultados em sistemas de gestão (principalmente quando tratamos de assuntos delicados como saúde e segurança). Isso ocorre, porque temos uma visão deturpada da necessidade de obter resultado com muita velocidade, sendo que nestas situações os verdadeiros resultados só ocorrem através do trabalho “Formiguinha”, ou seja, quando realizado pouco a pouco garantindo o verdadeiro estabelecimento de uma cultura. É muito comum, principalmente no Brasil, vermos empresas apontando indicadores excelentes, com números fantásticos, onde por muitas vezes, o resultado obtido é através de um levantamento de dados incorreto, uso de um indicador que não é o ideal para a realidade ou então tratando de uma situação pontual específica, que se perde com o tempo. Para esse tipo de situação é importante que seja feita uma varredura completa nos indicadores dos sistemas de gestão, para que estes tenham resultados 100% reais e ainda demonstrem de fato a história da sua evolução, criando alertas para cada aparecimento de quedas aparentes de resultados.
  1. Falta de compromisso dos envolvidos: Um dos agentes que mais impacta o resultado de um sistema de gestão é a falta de compromisso. Essa falta de compromisso está baseada principalmente no plano de priorização dos colaboradores de uma empresa. Uma empresa que tem por base priorizar somente resultados financeiros, em todos os momentos de escolha irá tomar a decisão de economizar a investir em algum programa cultural. Uma empresa que tem por base priorizar a produtividade a todo custo, tomará sempre por decisão produzir a deixar de fazê-lo para um ajuste necessário. A forma possível de mudar esse paradigma é realizando um levantamento de oportunidades existentes com a evolução dos sistemas de gestão. As empresas que conseguem mudar esse ponto de vista, se tornam muito mais eficientes, porque enxergam o todo pensando sempre em um desenvolvimento sustentável em suas atividades.
  1. Cultura disciplinar não enraizada: A cultura disciplinar é um fator importante para que os sistemas de gestão possam manter-se em melhoria contínua. Quando a cultura de boa disciplina não faz parte do dia a dia, burlar regras começa a ser natural e com isso os problemas começam a acontecer. A empresa pode investir muito, pode implementar inúmeras ferramentas e projetos, mas se ela não tiver a cultura de manter-se disciplinada a algo que foi definido, tudo irá para o ralo mais cedo ou mais tarde. Para mudar esse tipo de visão se faz necessário “Tocar na ferida” no âmbito estratégico, pois normalmente essa mudança cultural parte do topo da pirâmide. Na cultura empresarial, a gestão pelo exemplo tem um papel importante, visto que tudo aquilo que é realizado pelos gestores é entendido como o correto e se estes não seguirem a disciplina à risca, terão como resultado a falta de disciplina dos seus colaboradores.
  1. Falta de maturidade para solução de problemas: Este item, acredito ser o mais perigoso dentro do sistema de gestão de uma empresa e que pode ser o responsável pela maior parte dos que não funcionam. Um sistema de gestão empresarial necessita antes de tudo de cumplicidade e sempre que esta não existe entre os colaboradores e departamentos , são criadas amarras e mais amarras, controles e mais controles que custam tempo e dinheiro, que sequer deveriam ser investidos. Subentende-se que todos nos temos uma “Bateria da confiança” que se carrega sempre que sentimos um ambiente confiável e com isso temos conforto de realizar nossas atividades de uma forma pré definida. A partir do momento em que percebemos que existe motivo de desconfiar, criamos defesas instintivas que fazem com que tenhamos novas regras para lidar com as situações e com isso, perdemos carga nessa bateria. Nas empresas em que não há uma determinada maturidade para resolver problemas, muitas pessoas procuram responsáveis e culpados, ao invés da causa raiz e com isso fazem com que o ambiente fique inóspito necessitando de regras e controles novos a cada ocorrência. Essa situação é tão grave, que ao chegar em determinado ponto, começa a se tornar comum e entende-se dentro das empresas que esses controles devem ser parte do dia a dia, fazendo com que perca-se dinheiro e ainda com que o sistema de gestão não funcione, visto que ao invés da criação da cultura da prevenção e melhoria contínua, se faz necessária a cultura do controle e coerção, que além de não resolver os problemas, cria níveis de stress que transformam a empresa em um verdadeiro campo de guerra.

    Os cinco pontos citados acima, mostram que antes mesmo da definição do plano de gestão em QSMS se faz necessário aprimorar o sistema de trabalho da empresa como um todo para evoluir os resultados na gestão.    Independentemente da existência ou não de um ambiente com resultados positivos, o diagnóstico cultural precisa ser realizado periodicamente, visando garantir que o local da implantação do sistema de gestão esteja devidamente semeado para que só assim os frutos possam ser colhidos na quantidade certa e de forma sustentável.

Sobre o autor

Luiz Otávio Goi Jr. tem formação na área ambiental, especialista em educação, sistemas de gestão, Segurança do trabalho e saúde ocupacional e tem MBA em Sustentabilidade empresarial e Gestão empresarial. Tem expressiva vivência em gestão no ramo da indústria, no qual soma mais de 15 anos de experiência nos ramos automobilístico, energia e bens de consumo. Atualmente, é executivo em sistemas de gestão em indústria de grande porte, autor dos livros “Administrando sistemas, gerindo processos e engajando pessoas” e ”Aprimorando sistemas, otimizando processos e desenvolvendo pessoas”, além de publicar artigos periódicos voltados a sistemas de gestão,cultura empresarial, metodologias de análise e solução de problemas e maturidade empresarial em revistas e páginas técnicas na área.

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