Como ideias criativas podem impulsionar sua carreira

Enernesto Berg
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Por Ernesto Berg

Derrubando conceitos

Em se tratando de criatividade – existem duas frases assassinas da capacidade criadora: “Ver para crer”, e “Só acredito vendo”.

Pessoas que só acreditam no que veem estão em sérios apuros, quando se trata de criatividade, pois existem milhares de ondas eletromagnéticas, sons, odores, paladares, microorganismos, totalmente imperceptíveis aos seres humanos e que são fundamentais no nosso dia a dia. Por exemplo, ninguém consegue ver as ondas eletromagnéticas que trazem a imagem para o televisor, a mensagem do celular, ou o email da internet. Nenhum ser humano é capaz de detectar a radioatividade de um ambiente, somente o contador Geiger pode fazê-lo. Não obstante, a radioatividade pode matar uma pessoa, se ficar excessivamente exposta. Assim, o indivíduo que só acredita no que vê poderia acabar morrendo por algo que ele não vê, seja a radioatividade, um microorganismo ou outros fenômenos imperceptíveis para nós.

A criatividade trabalha com o conceito fundamental de que é preciso “crer para ver”, atitude essencial para a mente inventiva, pois parte do princípio de que tudo começa no plano invisível, a imaginação e o subconsciente, para depois manifestar-se no plano físico. Sem essa premissa, a criatividade – e a inovação dela decorrente – é bloqueada no nascedouro, porque a inspiração e a engenhosidade da mente são impedidas de agir.

As bases da criatividade

Existem basicamente dois fatores que produzem a pessoa criativa e inovadora. São eles, o talento e a habilidade. O talento é algo que nasceu com você. Portanto, é congênito, isto é, podemos ter talento de nascença, ou não tê-lo, e nada irá mudar isso. A habilidade, por outro lado, é o que adquirimos com a prática constante e todos podemos desenvolvê-la. Por isso mesmo, é bom lembrar que ninguém nasce campeão de natação: é preciso treinar dura e repetidamente. Da mesma forma, a criatividade pode ser treinada e desenvolvida, e como resultado disso surge a inovação, fruto da engenhosidade do ser humano. E como isso acontece? Existem inúmeras formas de despertar a criatividade.

Por exemplo, David Ogilvy, britânico cognominado o pai da publicidade  do século XX disse, certa vez, que “as boas ideias vem do inconsciente; para que uma ideia seja realmente relevante, o inconsciente precisa estar muito bem informado”. Na verdade, ele tocou num dos pontos-chave da criatividade que é a informação armazenada em nosso cérebro, trabalhando em sociedade com o subconsciente.

O poder da imaginação                             

Outra maneira é o uso constante da imaginação direcionada a um propósito. Einstein sabia disso ao afirmar que “a imaginação é mais importante que o conhecimento”. Você pode argumentar que o conhecimento é mais importante, pois ele é a base de todas as informações a respeito de fatos e coisas. Einstein, entretanto, afirma que a imaginação é mais importante, porque é ela que precede e molda o conhecimento, o qual não passa de uma sistematização de dados e informações. Se você mora em um apartamento, alguém (arquiteto ou engenheiro) primeiramente o imaginou – isto é, planejou – e depois o construiu. O apartamento tomou forma só depois de imaginado e erguido. Se você senta numa poltrona confortável ela, inicialmente, foi projetada – isto é, imaginada – por alguém que, posteriormente, a fez. Aquela poltrona não existia antes; ela começou na imaginação de alguma pessoa e, posteriormente, foi feita.

O mesmo acontece com teorias e hipóteses. Baseado em estudos e hipóteses, imaginando possibilidades, Einstein formulou a equação E = M C² no início do século XX, mas não tinha como comprová-la, o que aconteceu só em 1933, quando foi confirmada pelos físicos franceses Irene e Frédéric Joliot-Curie, em Paris. A descoberta foi fundamental, pois deu origem à era atômica com todos os seus desdobramentos. Entretanto, o começo de tudo foram as pesquisas, ideias e a imaginação de Einstein. Eram as únicas coisas que ele tinha ao iniciar, mas foram elas que deram substância à sua teoria, hoje universalmente utilizada em usinas e reatores atômicos, sem mencionar a bomba atômica, aliás, muito criticada pelo famoso cientista.

A propósito, você é do tipo ACMu ou ACMo?

Sabe o significado da palavra ACMu? É um acrônimo de Alto Coeficiente de Mumificação.

Somos levados a isso pelas rotinas do dia a dia, repetindo sempre as mesmas coisas. Aliás, grande parte dos ambientes empresariais é inibidora da criatividade. São autênticas usinas de mumificação, cujas frases prediletas são: “Você é pago para fazer, não para pensar”; “Quem pensa aqui sou eu, você só tem que executar”. Indústrias e gestores ainda classificam as pessoas como “mão de obra”, não como recurso ou talento humano. Isto é, consideram o ser humano como sendo mais uma “mão” na obra. E onde fica o cérebro nisso tudo? É bom lembrar que a mão executa, mas é o cérebro que pensa e cria.

Cabe aqui uma pergunta: “Quer saber se o ambiente em que você trabalha tem gente inovativa e criativa?” Resposta: “Preste atenção se elas dizem frases do tipo”.

“Sempre fizemos desse jeito, por que mudar?”

“É uma boa ideia, mas inaplicável.”

“Já tentamos isso antes e não deu certo.”

“Nunca tentamos isso antes, por que agora?”

“Não é desse jeito que trabalhamos por aqui.”

“O chefe não vai gostar.”

“É proibido!”

“Se não der certo, você vai ter que se explicar.”

“O concorrente já está fazendo isso.”

“Isso não tem lógica.”

“Não pedi sua opinião.”

“Suas ideias não se aplicam na nossa empresa.”

Frases como essas identificam dinossauros ocultos nas organizações que em nada contribuem para a solução criativa de problemas, ou identificação de novas oportunidades de negócios.

E o tipo ACMo?

ACMo é o acrônimo de Alto Coeficiente de Motivação. São pessoas motivadas por desafios e em atingir objetivos relevantes. Nem toda pessoa motivada é criativa, porque ela pode estar extremamente motivada em realizar determinadas tarefas e atingir objetivos, mas não interessada em ser muito criativa. Porém, toda pessoa criativa é, necessariamente motivada, pois persegue e se envolve constantemente com novos parâmetros, novas possibilidades, novos horizontes, e isso a excita, provoca sua curiosidade e testa seus limites. C. K. Prahalad, catedrático da Universidade de Michigan, disse que “devemos dedicar mais energia criando o futuro do que preservando o passado”. É o que o ACMo faz o tempo todo.

Peter Drucker, o papa da administração moderna que revolucionou toda a teoria e prática da administração no século XX, foi enfático ao afirmar que “a empresa possui duas, e apenas duas funções básicas: marketing e inovação. Marketing e inovação produzem resultados, todo o resto são custos”. É um conceito arrojado sobre organização, mas deixa clara a importância que ele atribui à inovação.

Prá concluir vou perguntar mais uma vez: “Você é do tipo ACMu ou ACMo?”       Sua carreira e sua vida dependerão da resposta que você der. Pense nisso.

Texto extraído e condensado do livro “Manual de Criatividade Aplicada”, de Ernesto Artur Berg, Juruá Editora. Mais detalhes sobre o livro acesse www.quebrandobarreiras.com.br seção de LIVROS, ou acesse aqui.

Ernesto Berg
Consultor de empresas, professor, palestrante, articulista, autor de 18 livros, especialista em desenvolvimento organizacional, negociação, gestão do tempo, criatividade na tomada de decisão, administração de conflitos.  Graduado em Administração e Sociologia,  Pós-graduado em Administração pela FVG de Brasília. Foi executivo do Serpro em Brasília por 10 anos e consultor Senior da Alexander Proudfoot Company de São Paulo.

Editor do site www.quebrandobarreiras.com.br, voltado para a área de recursos humanos, administração e negócios.                                                                       Email: berg@quebrandobarreiras.com.br

Deixe uma resposta