Aprenda a confiar

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Dermeval Franco _ LinkedIn.htmlPor Dermeval Franco

A confiança é um requisito essencial para a vida. É um diamante de preciosidade absoluta. Na presença ela aproxima, encanta, enriquece, amplia, diminui distâncias, e reduz custos físicos e emocionais. A confiança faz brilhar os olhos. Na falta ela desencanta, empobrece, distancia e aumenta os custos materiais e psicológicos. A desconfiança embaça os olhos.

Para que as organizações sejam sadias é fundamental criar um ambiente de trabalho agradável e de franca cooperação. Após décadas priorizando o gerenciamento de processos para melhorar a produtividade dos recursos, as empresas devem agora, e com urgência, dar ênfase na gestão de pessoas já que é tão difícil substituir profissionais treinados e de alta performance.

Os dias de hoje são um desafio ao sentimento de segurança. Ninguém sabe se daqui a um ano estará trabalhando na mesma empresa, no mesmo departamento, numa incorporação ou fusão empresarial ou num emprego totalmente diferente.

O ritmo acelerado das mudanças é emocionante mas em um mundo onde tudo é incerto, não surpreende que uma das primeiras baixas tenha sido a confiança no ambiente de trabalho. A confiança parece ser moeda de pouco valor nas relações atuais. Somos uma sociedade que produz mais estranheza do que podemos suportar criando, assim, um ambiente geral de desconfiança.

Profissionais desconfiados são menos comprometidos e eficientes. As empresas que não confiam em seus funcionários perdem tempo vigiando-os, ao invés de concentrar-se nos produtos, serviços, clientes, mercado e tudo aquilo de alavanque o negócio. Como diz Peter Drucker: “Dentro da empresa só existem custos, o lucro está no mercado”.

Criar ambiente favorável

Ao perdermos a perspectiva de longo prazo – porque tudo é para hoje – como obter um ambiente de trabalho onde as pessoas confiem umas nas outras, numa época em que a relação empresa-funcionário se baseia na conveniência e não no comprometimento duradouro?

Pesquisas do Departamento de Psicologia Social da Universidade de Chicago*, levaram em consideração os valores de cerca de 17 milhões de funcionários em 40 países. Descobriu-se que as pessoas valorizam oito comportamentos:

1.    Falar sempre a verdade.

2.    Confiar nos funcionários.

3.    Orientar de forma não egoísta.

4.    Ser receptivo a novas ideias, independentemente de sua origem.

5.    Assumir riscos pessoais em nome da organização.

6.    Dar o crédito devido.

7.    Não tocar em dinheiro sujo.

8.    Colocar o interesse dos outros à frente dos seus.

Creio que diante desses valores, não é preciso se preocupar com detalhes. Automaticamente os funcionários saberão o que se espera deles e quais são as ações adequadas. Então, contratar pessoas que entendem e praticam esses valores, tem-se outro ingrediente fundamental da receita para a confiança no ambiente de trabalho.

Não há confiança mútua quando as pessoas não estão abertas umas para as outras, não se identificam, não consideram as necessidades do outro. O desenvolvimento da autoconfiança fica comprometido quando o funcionário não se vê reconhecido, compreendido, valorizado. Sem essa atitude, o outro não se entrega, não coopera, não se compromete, o que inviabiliza um empreendimento conjunto.

A “mania” de conversar é comum nas organizações onde impera a confiança. É fácil falar sobre a necessidade de conversar, mas fazê-lo é outra coisa.

Quando se perde a confiança dentro da empresa, não adianta colocar um curativo na ferida. É preciso começar tudo de novo em nova base de valores que leva tempo para consolidar. Não tem ética uma empresa que afirma que um discurso motivacional ou consultoria rápida pode consertar tudo.

A confiança é dependente das interações estabelecidas com o ambiente. Quanto mais o ambiente organizacional for acolhedor, nos termos aqui descritos, mais as pessoas se sentirão seguras para confiar umas nas outras.

Sinais de alerta

Existem sinais de que a confiança deixou de existir na empresa:

  • Aumento da rotatividade por insatisfação com o ambiente de trabalho.
  • Surgimento de reclamações, ressentimentos, conflitos manifestos ou não.
  • As pessoas estão mais cautelosas com o que dizem.
  • A comunicação torna-se deficiente.

Sete maneiras de aumentar a confiança no ambiente de trabalho

1. Reconheça o trabalho das pessoas – Reconhecimento tem um grande efeito na confiança – principalmente se vem logo após um objetivo alcançado ou uma meta atingida. É preciso que esse reconhecimento venha diretamente dos colegas, gestor, chefe – aqueles que trabalham juntamente com você – e seja tangível, inesperado e público.

2. Forneça um desafio – As pessoas são movidas por desafios. Desde que sejam atingíveis e com objetivos claros. Segundo a neurociência, quando membros da equipe precisam trabalhar juntos para atingir um objetivo em comum, a atividade do cérebro direciona seus respectivos comportamentos de forma mais eficiente. O estresse gerado na equipe é positivo quando as pessoas confiam em seus gestores.

3. Dê liberdade às pessoas – Confiança gera confiança. Uma pesquisa do Citibank e do LinkedIn, realizada em 2014, indicou que quase metade dos funcionários abririam mão de um aumento de 20% no salário para ganharem maior controle sobre a forma como precisam trabalhar.

4. Dê liberdade de escolha – Quando os funcionários podem escolher seus próprios projetos, eles tomam para si aquela tarefa, dão maior atenção ao trabalho, ampliam seus esforços e ficam mais focados naquilo que querem realizar.

5. Seja transparente – sinceridade é um antídoto – Pesquisas de clima sugerem que o que os funcionários querem mesmo é transparência. Mas poucas, de fato, são transparentes com eles. Não deixam claro quais são seus objetivos, a estratégia adotada e quais táticas serão escolhidas para atingir os objetivos.

6. Pergunte além do trabalho – Gestores bem avaliados têm interesse em saber o que acontece com a vida das pessoas de sua equipe fora do trabalho. Isso pode contribuir para gerar um sentimento de que o gestor acredita de fato naquele funcionário. Além do mais, almoços e atividades que muitas vezes não têm relação direta com o trabalho ajudam a aumentar os níveis de confiança. A pergunta chave que todo gestor deveria fazer para seu funcionário: “- Qual é o seu sonho?”

7. Dê chance às pessoas de crescerem no trabalho – Os gestores devem ajudar as pessoas a alcançarem seus sonhos. As pessoas querem trabalhar para realizar algo em suas vidas e, para isso, se esforçam quando sentem que vale a pena o esforço. Sentem-se reconhecidos. Portanto, conhecer cada membro da equipe é muito importante. Os bons líderes trabalham diretamente com seus funcionários para ajudá-los a conquistar objetivos pessoais e profissionais. Comunicação frequente e consistente pode garantir que isso aconteça.

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Temos sete sugestões que podem ser objeto de discussão em programas de desenvolvimento gerencial e reuniões gerenciais nas empresas. O que você achou?

*Pesquisa publicada na Revista HSM Management – Maio/junho de 1999.

One comment

  1. wallace silva disse:

    Incrível, adorei.
    Utilizado em Eventos Festa Árabe, São Paulo – SP

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