A arte de elogiar

Delano
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Carlos Delano Rebouças
Viva! Parabéns! É isso aí! Se existem mais para que eu possa esgotar as minhas exclamações, avisem-me, por favor, mas não posso nem devo me calar, privar-me de externar meus sinceros sentimentos direcionados a quem quer que seja (conhecido ou não), desde que seja digno de receber todos os elogios possíveis.
Certa vez, quando assistia a uma palestra, percebi alguém na plateia que não poupava o palestrante de elogios, aos gritos emocionantes de “sabe tudo!”, de “Mestre!” e de tantos adjetivos justos de serem atribuídos a alguém que não por acaso estava ali, no púlpito, falando para pessoas interessadas ou não, ciente de que sua fala havia de ser diferenciada, impactante na vida de muitos, como claramente pareceu ser na vida daquela pessoa.

Pena que nem sempre é assim – que em meio a nossa plateia tenham pessoas sensatas e justas para reconhecer que o orador traz um discurso transformador – preferindo manter-se num silêncio revelador que, muitas vezes, reprova e pune injustamente o conhecimento e a sabedoria transferidos, cegados pela insensatez que se materializa bem menos pela ausência de gritos e aplausos, que pelo silêncio crítico e acovardado de não dar o braço a torcer para reconhecer que alguém foi bem e se destacou, ou mesmo que deu um verdadeiro show.
Elogiar, decerto, não é para qualquer um. É atitude para os grandes, os fortes e dignos! Para quem na sua grandeza de alma consegue identificar a sua semelhança em alguém como se houvesse um espelho nada narcisista, mas capaz de ser verdadeiro na evidência das potencialidades, da verdade, da pureza e delicadeza de ser, de apenas ser diferente. Também é, quem sabe, a demonstração de uma força que vem de dentro, bem mais do consciente que do coração, que permite enxergar valores que o filtro da razão se encarrega de eliminar as impurezas que a emoção poderia passar, ou mesmo a expressão clara da dignidade de reconhecer que os bons existem e podem ser identificados, desde que sejam sepultadas quaisquer manifestações que não nos dignifiquem.
Desenvolva o hábito de elogiar! Seja esse grande artista, mesmo que não esteja no centro das atenções! Mostre quanto é justo se reconhecer o que há de bom nas pessoas e foi feito por elas, e, mesmo que não veja razões para tal, mostre pelo menos a educação e o bom senso de entender que tudo pode não passar de uma impressão, uma conclusão particular, que em nada credencia para desconstruir a imagem de alguém.

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